Os italianos estão sendo convocados às urnas neste domingo (8/6) e na segunda-feira (9/6) para decidir, por meio de referendo, sobre duas questões-chave: a facilitação da cidadania para imigrantes e a revogação de leis que flexibilizam o mercado de trabalho. No entanto, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni se opõe abertamente às mudanças e tem orientado a população a não participar da votação, com o objetivo de inviabilizar o quórum mínimo necessário para validar o resultado (50% de participação).
Atualmente, um imigrante que reside legalmente na Itália — sem ser casado com um cidadão italiano ou possuir laços de sangue com o país — precisa viver pelo menos 10 anos no território antes de solicitar a cidadania. O referendo propõe reduzir esse período para 5 anos, equiparando a legislação italiana à de países como França e Alemanha.
Segundo os defensores da medida, até 2,5 milhões de pessoas poderiam se beneficiar com a mudança. A proposta tem apoio do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e de diversas ONGs, que conseguiram reunir mais de 500 mil assinaturas para viabilizar o referendo, conforme exige a legislação italiana.
A primeira-ministra Meloni, líder do partido de extrema direita Fratelli d’Italia (FDI), é contrária à proposta. Em declaração recente, afirmou que a atual legislação sobre nacionalidade é “excelente” e “muito aberta”. “Somos uma das nações europeias com o maior número de naturalizações”, argumentou.
Dados do Eurostat, o instituto de estatísticas da União Europeia, confirmam que a Itália concedeu cidadania a 213.500 pessoas em 2023, o equivalente a 20% de todas as naturalizações no bloco europeu. Ainda assim, o governo tem adotado uma postura mais restritiva: em março deste ano, limitou o acesso à cidadania por descendência, permitindo o direito apenas a estrangeiros com pais ou avós italianos, excluindo descendentes de tataravós — até então elegíveis.
O resultado do referendo poderá ter impacto direto sobre milhões de imigrantes residentes na Itália, além de representar um teste de força política entre o governo e a oposição em temas sensíveis como cidadania, imigração e inclusão social.
Comentários: