O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, confirmou nesta quarta-feira (26) que deve deixar o governo “em breve” para voltar à iniciativa privada.
A declaração foi feita em coletiva técnica após a cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que isenta do IR (Imposto de Renda) quem ganha até R$ 5 mil e cria o imposto mínimo sobre altas rendas, nesta quarta.
“Está chegando a hora, histórias boas terminam, está chegando a hora de eu voltar para a iniciativa privada, voltar a cuidar da minha família, que está sentindo, infelizmente, muito a minha falta ainda. então acho que isso vai acontecer em breve. eu e o ministro não discutimos os detalhes, mas deve acontecer em breve”, afirmou.
O anúncio já havia sido feito momentos antes pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante seu discurso na cerimônia. O chefe da equipe econômica afirmou que ficou “chateado” com a saída do auxiliar.
“Eu tô meio chateado com o Marcos Pinto, que já falou para mim que está pensando em seguir o Appy, que já deixou o Ministério da Fazenda”, disse na ocasião.
Marcos Pinto é um dos quadros centrais da equipe econômica. À frente da Secretaria de Reformas Econômicas, ele era responsável pela agenda microeconômica — que reúne revisão de benefícios fiscais, modernização de marcos regulatórios, propostas de tributação sobre renda de capital, agenda de crédito, infraestrutura financeira e mudanças no mercado de capitais.
“O que eu posso falar para vocês é que eu me sinto com uma enorme sensação de dever cumprido do que já tem sido construído nesses três anos. Eu participei de quatro projetos extraordinários no governo: o pé-de-meia, o desenrola, o crédito do trabalhador e agora a isenção do IR para quem ganha 5 mil reais e o imposto mínimo. Eu sinto, assim como o ministro Haddad disse sentia sobre ter entregado tudo que o presidente pediu, e eu sinto que entreguei tudo o que o ministro e o presidente pediram”, disse ao ser questionado sobre o assunto.
A possível saída ocorre em um momento de reorganização interna da equipe econômica. Além de Pinto, deixou o governo recentemente o economista Bernard Appy, que comandava a Secretaria Especial de Reforma Tributária e foi o principal formulador da reforma ampla do sistema de consumo aprovada em 2023.
Sua secretaria foi extinta no início do mês, e o governo ainda não anunciou como redistribuirá as funções técnicas.
Appy, responsável por estruturar a transição para o novo modelo de impostos sobre consumo, era uma das referências do governo na agenda tributária.
A saída de Marcos Pinto coloca pressão adicional sobre a condução de programas já enviados ao Congresso, como a atualização de marcos regulatórios do mercado financeiro, a lei de infraestrutura financeira, a modernização de PPPs e concessões e o novo crédito imobiliário.
Até o momento, não há indicação de que a saída tenha sido motivada por divergências internas.
Quem ganha até R$ 5 mil precisa declarar IR? Tire dúvidas
Comentários: