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Quinta-feira, 28 de Maio de 2026

Justiça

PF investiga uso ilegal do software FirstMile na espionagem de autoridades dentro da Abin

Programa teria sido usado para monitorar até 10 mil celulares por ano e criar histórico de localização em tempo real

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
PF investiga uso ilegal do software FirstMile na espionagem de autoridades dentro da Abin
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Brasília – A Polícia Federal (PF) investiga o uso irregular do software FirstMile , uma ferramenta de monitoramento digital utilizada ilegalmente por pessoas ligadas à chamada “Abin Paralela” para espionar celulares de autoridades. O programa permitiria a geolocalização em tempo real de até 10 mil dispositivos móveis por ano , bastando apenas o número de telefone como referência.

Segundo apuração da PF, o sistema foi utilizado por um grupo que teria criado uma estrutura clandestina dentro da própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin) . O esquema teria invadido repetidamente a infraestrutura crítica das operadoras brasileiras para obter informações sigilosas, sem autorização legal ou judicial.

O FirstMile permite não apenas a coleta de dados de localização dos aparelhos, mas também a geração de alertas em tempo real sobre a movimentação dos alvos, além da criação de históricos detalhados de deslocamentos. A ferramenta teria sido adquirida com recursos públicos destinados à inteligência nacional.

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As investigações fazem parte da continuidade da Operação Última Milha , deflagrada no dia 20 de outubro de 2023 , quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão e outros atos investigatórios. As provas coletadas indicam que os envolvidos montaram uma verdadeira rede paralela de vigilância, utilizando equipamentos e estruturas da Abin para fins ilícitos.

Os indiciados são acusados de crimes como invasão de dispositivo informático alheio , organização criminosa , interceptação ilegal de comunicações telefônicas ou telemáticas e uso indevido de informações estratégicas. As atividades teriam objetivo político, pessoal e até mesmo a interferência em investigações conduzidas pela própria Polícia Federal.

A suspeita é que as informações obtidas tenham sido usadas para pressionar autoridades, influenciar veículos de imprensa e gerar vantagens políticas, revelando um sério risco à segurança institucional e à privacidade de agentes públicos.

A Abin informou, por meio de nota, que apoia integralmente as investigações e tem colaborado com a Polícia Federal para identificar todos os envolvidos e apurar eventuais responsabilidades.

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