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Porto Velho

MPRO pede conclusão de obras para atender famílias sem energia há anos na zona rural de Porto Velho

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) ajuizou Ação Civil Pública contra a Energisa Rondônia para cobrar a universalização do acesso à energia elétrica no Distrito de Rio Pardo, na zona rural de Porto Velho.

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
MPRO pede conclusão de obras para atender famílias sem energia há anos na zona rural de Porto Velho
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O Ministério Público de Rondônia (MPRO) ajuizou Ação Civil Pública contra a Energisa Rondônia para cobrar a universalização do acesso à energia elétrica no Distrito de Rio Pardo, na zona rural de Porto Velho. A ação pede que a concessionária conclua as ligações pendentes e apresente um cronograma de execução das obras sem custos aos moradores.

A ação é resultado de procedimentos extrajudiciais que identificaram famílias sem energia elétrica, prazos de atendimento descumpridos e falta de informações sobre a execução das obras. O MPRO também pede indenização por danos morais coletivos e danos sociais, no valor total de R$ 2 milhões.

A Resolução Homologatória nº 3.213/2023, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), estabeleceu 31 de dezembro de 2025 como prazo para a universalização do acesso à energia elétrica na zona rural de Porto Velho, incluindo o Distrito de Rio Pardo.

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Embora o Programa Luz Para Todos tenha vigência nacional até 2028, o cronograma específico para o município terminou em 2025. Segundo o MPRO, a Energisa não cumpriu as metas estabelecidas.

O programa é financiado pelo Governo Federal, que subsidia 90% dos recursos, enquanto a concessionária responde pelos 10% restantes e pela execução das obras.

Na ação, o Ministério Público sustenta que os moradores não podem ser responsabilizados financeiramente pelo atraso da empresa. Conforme a Promotora de Justiça Daniela Nicolai de Oliveira Lima, autora da ação, o prazo regulatório terminou sem que a empresa concluísse as obras na região.

Famílias sem energia

Os procedimentos conduzidos pela 11ª Promotoria de Justiça de Porto Velho registraram situações de moradores que aguardam o fornecimento de energia há anos.

Na Linha 15, Km 27, uma solicitação feita em dezembro de 2023 teve o atendimento inicialmente previsto para 2024.

Na Linha União, sete famílias relataram estar sem energia elétrica há cerca de 20 anos. Em outubro de 2026, a concessionária informou que a área está inserida na Floresta Estadual do Rio Pardo e que seria necessária análise da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM).

Já na Estrada Lateral do Colégio Estadual, um consumidor idoso aguardava a ligação há aproximadamente dois anos. Mesmo após reiteradas solicitações do MPRO, a empresa não apresentou o levantamento exigido nem concluiu o atendimento.

Tentativas de solução

A promotora Daniela Nicolai realizou reuniões com representantes da Energisa para buscar uma solução administrativa. Em março de 2026, a concessionária se comprometeu a levantar as demandas e apresentar respostas em até 15 dias, mas o prazo terminou sem a entrega das informações.

Em setembro do mesmo ano, moradores relataram que postes haviam sido transportados para a região, mas permaneciam no chão, sem a conclusão das obras. A empresa voltou a mencionar dificuldades ambientais e se comprometeu a entregar um relatório de levantamento, que não foi apresentado.

O Ministério Público também questiona a atribuição aos moradores da responsabilidade por obter autorizações ambientais necessárias às obras. Na avaliação apresentada na ação, cabe à concessionária, como executora do programa, conduzir os procedimentos relacionados às intervenções que realiza.

Medidas solicitadas

O MPRO pede que a Justiça determine à Energisa, em caráter de urgência, o cumprimento de medidas no prazo máximo de 30 dias:

Levantamento de todas as unidades consumidoras sem energia elétrica em Rio Pardo e auxílio aos moradores na regularização documental.

Apresentação de cronograma detalhado e faseado para a execução das obras, sem custos aos moradores.

Conclusão imediata das ligações nas localidades em que não houver restrições ambientais, com prioridade para famílias com idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde.

O pedido prevê multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais.

Acompanhamento

A ação também requer que o cumprimento das medidas seja acompanhado continuamente pela Justiça, com apresentação de relatórios e realização de audiências periódicas de monitoramento.

Segundo a promotora de Justiça, a proposta é que as indenizações sejam destinadas a projetos de infraestrutura e desenvolvimento comunitário em Rio Pardo, sob fiscalização judicial e do Ministério Público. O objetivo é direcionar os recursos à população afetada, sem substituir as obras de universalização, que já são obrigação da concessionária.

As medidas e indenizações integram os pedidos apresentados pelo MPRO e dependem de decisão judicial.

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