Belém (PA) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta quinta-feira (6) a Cúpula do Clima, realizada em Belém, no Pará. O evento reúne chefes de Estado e representantes internacionais e serve de prévia para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que começa na próxima segunda-feira (10).
Em seu discurso, Lula defendeu a “justiça climática” como ferramenta essencial para combater a fome e a pobreza, destacando que o enfrentamento das mudanças climáticas deve estar alinhado à igualdade social e de gênero.
“A justiça climática é aliada do combate à fome e à pobreza, da luta contra o racismo, da igualdade de gênero e da promoção de uma governança global mais representativa e inclusiva”, afirmou o presidente.
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Lula reforçou o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, firmado em 2015, e alertou para os riscos do aumento da temperatura global. Segundo ele, caso o planeta aqueça 2,5°C até 2100, as perdas humanas e econômicas serão drásticas, com projeções de 250 mil mortes anuais e redução de até 30% do PIB global.
“A COP30 será a COP da Verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência, de encarar a realidade e mostrar coragem para transformá-la”, completou Lula.
A cerimônia de abertura contou com apresentação do grupo Arraial do Pavulagem, ícone da cultura paraense, e reuniu 100 delegações internacionais, incluindo 40 chefes de Estado e líderes de organismos multilaterais. Entre os presentes estavam Emmanuel Macron (França), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Keir Starmer (Reino Unido) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). As ausências de representantes dos Estados Unidos, China e Argentina chamaram atenção.
Após o discurso de abertura, o presidente ofereceu um almoço diplomático aos países que sinalizaram contribuições ao Fundo Tropical das Florestas (TFFF, na sigla em inglês) — iniciativa voltada ao financiamento climático de países em desenvolvimento.
Fundo para financiamento climático
Um dos principais objetivos do Brasil na presidência da COP é implementar mecanismos de financiamento ambiental, com destaque para o TFFF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que a meta é captar US$ 10 bilhões até o fim de 2026, com aportes de governos e do setor privado.
Até o momento, US$ 2 bilhões já foram garantidos — US$ 1 bilhão do Brasil e US$ 1 bilhão da Indonésia. Entre os países que manifestaram interesse em contribuir estão Alemanha, França, Noruega, Reino Unido, República do Congo e Suécia.
A expectativa é alcançar US$ 25 bilhões em recursos públicos e US$ 75 bilhões em investimentos privados, reforçando o papel das empresas no processo de transição ecológica.
Reuniões bilaterais e próximos debates
A Cúpula dos Líderes define o tom político das negociações que serão aprofundadas durante a COP30. Lula já realizou diversas reuniões bilaterais para garantir apoio ao fundo e fortalecer alianças internacionais em torno da agenda ambiental.
Os debates continuam até sexta-feira (7), com foco em clima e natureza, transição energética e na avaliação dos dez anos do Acordo de Paris.
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