O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), reagiu nesta quarta-feira (11/6) ao posicionamento conjunto da federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — que anunciou ser contrária às medidas arrecadatórias propostas pelo governo Lula como alternativa ao reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Em entrevista após a divulgação da posição do Centrão, Lindbergh classificou como um “erro conceitual” a visão de que as medidas representam aumento de impostos. Segundo o petista, o que está em discussão é a revisão de gastos tributários que beneficiam setores específicos da economia.
“Nós não aceitamos essa tese de descalabro das contas, pelo contrário. E nós não achamos que cobrar dos mais ricos é aumentar imposto. Eu volto a dizer, tem um erro conceitual. O nome disso é gasto tributário”, afirmou o líder do PT.
Mais cedo, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, disse que o partido defende o corte de despesas como forma de resolver os problemas fiscais do país, e não a elevação da carga tributária. “Vamos reunir as bancadas do Senado e da Câmara para fechar questão contra qualquer aumento de imposto que não venha acompanhado de corte de despesas”, declarou.
Diante disso, Lindbergh rebateu a narrativa do Centrão e destacou que a proposta governamental visa justamente corrigir distorções no sistema tributário. “Tem que rever esses gastos tributários. É isso que estamos propondo. Na medida que vai ser apresentada ao Congresso, o aumento de imposto só aconteceria nas bets [plataformas de apostas online], caso elas continuem com alíquotas inferiores às de outros setores.”
O deputado questionou ainda se faz sentido manter esse tipo de benefício fiscal enquanto outras empresas e instituições financeiras pagam proporcionalmente muito mais. “E alguém é contra que as bets paguem mais em um momento como esse? [Elas] estão pagando menos que empresas, que instituições financeiras”, expôs.
A tensão entre o governo e o bloco do Centrão tende a crescer nos próximos meses, especialmente com a necessidade de aprovação de medidas econômicas urgentes no Congresso. A divisão ideológica entre revisão de privilégios fiscais e corte de gastos promete ser um dos principais campos de disputa política na tramitação da proposta.
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