O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) apresentou nesta segunda-feira (9) um requerimento de informação ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), exigindo acesso a todos os relatórios produzidos pela Rede Minerva — iniciativa coordenada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), órgão vinculado ao próprio ministério.
Com orçamento previsto de R$ 54,1 milhões, a Rede Minerva atua no monitoramento e análise de conteúdos digitais e redes sociais, incluindo publicações de influenciadores e parlamentares da oposição. O projeto é financiado por recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), ligado ao Ministério da Justiça (R$ 42 milhões), e do Ministério da Saúde (R$ 12,1 milhões).
Entre os produtos elaborados pela rede está o Boletim Baobá, um relatório fechado ao público que inclui a análise de postagens consideradas críticas ao governo, com destaque para nomes como os deputados Gustavo Gayer (PL-GO), Carlos Jordy (PL-RJ) e outros parlamentares da base opositora. Governistas também aparecem nos documentos, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
Diante das revelações, Kataguiri cobra explicações sobre a origem e aplicação dos recursos, os pagamentos realizados, os critérios de seleção de bolsistas envolvidos no projeto, e a metodologia utilizada para escolha dos conteúdos analisados. O parlamentar também quer saber se houve algum tipo de direcionamento ideológico na definição dos alvos monitorados.
“É preciso esclarecer se o dinheiro público está sendo utilizado para vigiar adversários políticos. Isso é inaceitável em uma democracia”, afirmou Kataguiri. Ele solicita, ainda, que o MCTI encaminhe cópias integrais de todos os relatórios, boletins e demais produtos gerados pela Rede Minerva desde o início de sua execução.
O requerimento reacende o debate sobre liberdade de expressão, uso de recursos públicos para monitoramento digital e o papel das redes sociais na disputa política entre governo e oposição.
Comentários: