Brasília, 20 de novembro de 2025 - Em um movimento inesperado que traz alívio ao principal setor exportador do agronegócio brasileiro, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (20/11) a revogação total das tarifas adicionais de 40% impostas sobre o café brasileiro — uma medida que havia sido aplicada em agosto sob motivações políticas e que colocou em risco mais de US$ 2 bilhões em exportações anuais.
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) celebrou a decisão como uma “vitória estratégica” e “resultado direto da atuação diplomática eficaz do governo brasileiro”. Em nota oficial, a entidade destacou que, com a revogação, as exportações de café verde, torrado e moído voltam a ser taxadas em 0%, como antes da crise comercial.
“A decisão dos EUA restaura a previsibilidade do mercado e protege milhares de produtores, cooperativas e empresas que dependem desse comércio”, afirmou a Abic. A entidade parabenizou especialmente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pela “liderança incansável” nas negociações.
A redução de 10% anunciada anteriormente — que já havia amenizado o impacto — foi agora substituída pela eliminação completa da tarifa. A Abic ressaltou que, desde o início do ano, o setor privado atuou como interlocutor técnico, fornecendo dados de mercado, mapeando importadores norte-americanos e articulando pressão indireta por meio de cadeias de suprimento, complementando o esforço governamental.
O café brasileiro, responsável por cerca de um terço das exportações mundiais do produto, havia enfrentado uma queda de 23% nas vendas para os EUA após a imposição das tarifas. Com a reversão, produtores e indústrias devem retomar contratos e reabastecer estoques nos principais mercados consumidores, como Nova York e Los Angeles.
A decisão ocorre em meio a um cenário de aproximação entre os dois países, com negociações comerciais em andamento em outros setores. A Abic alerta, porém, que a vigilância deve continuar: “Tarifas políticas são imprevisíveis. A lição é clara: só teremos segurança com acordos duradouros e não com gestos pontuais”, disse o presidente da entidade, em nota final.
Com a volta da taxa zero, o café brasileiro recupera não só sua competitividade — mas também sua credibilidade como parceiro comercial confiável.
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