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Quinta-feira, 21 de Maio de 2026

Policial

Esquema do PCC usava Deolane Bezerra para lavar dinheiro

Investigações do Ministério Público revelam que influenciadora recebia recursos ilícitos da facção por meio de empresa de fachada e depósitos fracionados.

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Esquema do PCC usava Deolane Bezerra para lavar dinheiro
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A prisão da influenciadora Deolane Bezerra, nesta quinta-feira (21), marca um desdobramento crítico na Operação Vérnix, que mira a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). Após sete anos de apurações, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil identificaram que a advogada e influenciadora teria servido como peça fundamental para a circulação de dinheiro proveniente do crime organizado, utilizando contas próprias e de suas empresas para ocultar a origem ilícita de milhões de reais.

O elo central do esquema, segundo os investigadores, era uma transportadora de fachada sediada no interior paulista. A empresa operava sob o comando da cúpula da facção para lavar recursos através de transações complexas, envolvendo depósitos fracionados técnica conhecida como smurfing para evitar alertas dos órgãos de controle financeiro. Entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de 1 milhão de reais em depósitos suspeitos em sua conta física, além de centenas de milhares de reais repassados para suas empresas por entes sem capacidade financeira comprovada.

Conexão com o clã de Marcola

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A análise de provas apreendidas, incluindo bilhetes manuscritos e aparelhos celulares de operadores financeiros do PCC, estabeleceu a ligação direta entre Deolane e familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A sobrinha do líder da facção, Paloma Sanches Herbas Camacho, é apontada como a principal articuladora na intermediação entre a influenciadora e a família de Marcola. Parte dos recursos movimentados tinha como destinatário final o próprio Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, ambos custodiados no sistema federal.

Estrutura da investigação

A Operação Vérnix é a terceira fase de um inquérito iniciado em 2019, que evoluiu de uma apuração interna sobre ataques a agentes públicos para a descoberta de uma vasta rede de lavagem de capitais. O rastreio financeiro revelou que, além de Deolane, outros operadores financeiros como Everton de Souza, o “Player”, atuavam na distribuição do dinheiro para diversos destinos, inclusive contas no exterior.

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de 27 milhões de reais em nome de Deolane Bezerra, valor que a defesa não conseguiu justificar como fruto de atividades lícitas ou serviços advocatícios. A decisão judicial que autorizou as prisões e buscas destacou a necessidade de garantir a ordem pública, dada a sofisticação do grupo criminoso e o risco real de ocultação de provas e fuga evidenciado pela prisão de investigados no exterior e pelo fato de Deolane ter retornado ao Brasil recentemente, após um período na Itália.

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