O novo bloco do Centrão, a federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — deu nesta quarta-feira (11/6) um passo importante rumo ao rompimento formal com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma declaração conjunta, os partidos anunciaram que devem votar contra a Medida Provisória (MP) que prevê medidas arrecadatórias para substituir o reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mesmo antes de a proposta ser oficialmente enviada ao Congresso.
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, informou que o estatuto da federação deve ser concluído até 9 de julho. A partir daí, será instituída uma cláusula que proíbe filiados da aliança de ocuparem cargos no atual governo federal. A fala foi recebida com aplausos pela bancada ali presente, enquanto o presidente do União Brasil, Antônio Rueda — partido que mantém três ministérios na Esplanada —, não reagiu publicamente.
Nos bastidores, lideranças dos dois partidos confirmaram ao Metrópoles que já haviam avisado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a posição contrária à nova MP tributária. Segundo esses interlocutores, o movimento é parte de uma estratégia mais ampla de distanciamento político do Planalto, podendo culminar em um desembarque formal do governo Lula.
Apesar da definição ideológica da cúpula partidária, alas minoritárias dentro da federação ainda demonstram interesse em manter algum tipo de representação no Executivo, especialmente parlamentares do Nordeste. No entanto, predomina entre as direções nacionais o desejo de assumir uma postura independente e crítica frente ao governo.
A análise interna das legendas aponta que Lula terá dificuldade em reverter seu quadro de popularidade negativa, sobretudo após um início de 2025 marcado por instabilidade. Além disso, o grupo avalia que o presidente não contará com tempo hábil, recursos orçamentários ou equipe suficientemente forte para recuperar capital político.
O Centrão também responsabiliza o próprio governo pelas crises enfrentadas este ano. Entre os episódios citados estão: a falha na comunicação e subsequente recuo da medida que alterava o funcionamento do Pix; o escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), considerado mal conduzido na divulgação; e, mais recentemente, a proposta do IOF, vista como mais um aumento de imposto. Para as siglas, esses episódios consolidam a percepção de que o governo carece de eficiência na gestão e na articulação política.
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