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Quinta-feira, 30 de Abril de 2026

Justiça

Brasileiros temem extremos climáticos e pesquisa liga frio e calor à mortalidade infantil

Mais de 80% da população demonstra preocupação com os efeitos das mudanças climáticas em crianças, enquanto estudos confirmam aumento do risco de morte em bebês e crianças devido a temperaturas extremas.

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Brasileiros temem extremos climáticos e pesquisa liga frio e calor à mortalidade infantil
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Duas pesquisas divulgadas neste mês de outubro de 2025 alertam para o grave impacto dos extremos climáticos nas crianças. Uma delas, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal ao Datafolha, revelou que mais de 80% dos brasileiros temem os efeitos das mudanças do clima em bebês e crianças de 0 a 6 anos.

O estudo, chamado Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática, entrevistou 2.206 pessoas entre 8 e 10 de abril de 2025. A principal preocupação (71%) se concentra nos impactos sobre a saúde, com destaque para o aumento de doenças respiratórias. Outras questões levantadas pelos entrevistados incluem o maior risco de desastres (39%), como enchentes e secas, e a dificuldade de acesso a água limpa e comida (32%).

“Ver que a população reconhece o risco que as crianças enfrentam já é uma vitória — significa que entendemos quem está na linha de frente da crise e que há urgência em agir”, destacou Mariana Luz, diretora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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Risco de mortalidade infantil aumenta com temperaturas extremas

Um segundo estudo, publicado no periódico Environmental Research, corrobora a preocupação da população e foi conduzido por cientistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da London School e do Instituto de Saúde Global de Barcelona.

A pesquisa analisou mais de 1 milhão de mortes de menores de 5 anos ao longo de 20 anos, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). O risco de mortalidade nesta faixa etária chegou a ser 95% maior no frio extremo e 29% maior no calor extremo, quando comparado a dias de temperatura amena (entre 14°C e 21°C).

Os dados indicam que os bebês em período neonatal (7 a 27 dias) são os mais afetados pelo frio, com um risco de morte 364% maior em condições extremas. Já o impacto do calor cresce com a idade, sendo 85% maior em calor extremo para crianças entre 1 e 4 anos.

Ismael Silveira, professor do ISC/UFBA e colaborador do Cidacs, explica que o corpo das crianças não desenvolveu totalmente os mecanismos de regulação térmica, tornando-as mais vulneráveis. No calor, os riscos incluem desidratação e problemas renais, enquanto no frio há risco de hipotermia e aumento de infecções.

Impactos variam por região no Brasil

O Brasil, por suas dimensões continentais e desigualdades, serve como um “laboratório natural” para investigar os impactos climáticos. Os resultados mostram variações regionais significativas:

A mortalidade de crianças menores de cinco anos relacionada ao frio atingiu o maior aumento (117%) na região Sul do país.

A mortalidade relacionada ao calor foi maior no Nordeste (102%).

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste continuam com as taxas elevadas de mortes de crianças devido à maior vulnerabilidade socioeconômica e ao pior acesso a saneamento e moradia. O aumento das temperaturas representa uma ameaça adicional a essas regiões.

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