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O influenciador Vinícius Ferreira, conhecido como Vini Biólogo, é acusado de estelionato e responde a cerca de oito processos relacionados à venda de pacotes para uma expedição a Manaus, com a proposta de conhecer as belezas da Amazônia.
O Metrópoles teve acesso a oito processos movidos contra Vinícius — três deles já resultaram em condenação — e ouviu pessoas que compraram os pacotes da chamada Expedição Amazônia, mas não conseguiram participar do passeio nem recuperar o dinheiro pago. O influenciador cobrava cerca de R$ 3 mil pelo pacote, que incluía transporte, hospedagem, alimentação e passeios.
Em um dos casos, que tramitou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e teve decisão em 2024, Vini foi condenado por vender um pacote de R$ 2,4 mil para uma viagem prevista para os dias 5, 6 e 7 de março de 2021. Segundo o processo, o passeio foi inicialmente cancelado em razão da pandemia de Covid-19. O comprador, porém, afirmou que a viagem nunca foi efetivamente remarcada e que o valor pago também não foi devolvido.
Em 10 de julho de 2025, ele foi condenado a devolver R$ 8.294,72 para o autor — R$ 2.398 pelo pacote não realizado, R$ 896,72 por passagens aéreas compradas e R$ 5 mil por danos morais.
Uma fonte ouvida pelo Metrópoles afirmou que fechou o pacote com Vinicius após acompanhar publicações do rapaz nas redes sociais, com data para 8 de outubro deste ano. Ela conta que, após ter a viagem cancelada por conta do El Niño, o rapaz teria alegado que não faria a devolução do dinheiro.
Uma outra pessoa disse que, em 2022, viajaria com o marido e uma amiga, que também processa o rapaz. “Faltando dias, eu perguntei e ele falou que iria adiar. Eu tive que pagar por fora, pagar outra empresa para fazer a viagem, e estou desde 2022 tentando conseguir o dinheiro de volta”.
As vítimas ainda dizem que, em meio aos pedidos de devolução dos valores e tentativas de remarcação das viagens, Vinícius segue divulgando novos pacotes em seu Instagram, que conta com mais de 273 mil seguidores. Ele chegou a divulgar, inclusive, um pacote para março de 2027.
Outras três pessoas recorreram à esfera criminal e denunciaram à polícia o influenciador pelo crime de estelionato. Duas das vítimas abriram um boletim de ocorrência contra Vinicius em dezembro de 2025, na Polícia Civil do Paraná.
O boletim ainda alega que Vinícius chegou a prometer a devolução do valor em 45 dias. Posteriormente, voltou atrás: “Respondeu a uma mensagem minha no dia 1 de dezembro (data em que o prazo de 45 dias se encerrou), em que eu perguntava sobre o estorno. Ele disse que não realizaria a devolução na data que havia combinado, pois suas contas bancárias estariam bloqueadas pela Justiça devido a outros processos“.
O Metrópoles tenta contato com a Polícia Civil do Paraná, onde foram registrados os boletins de ocorrência, para esclarecer o andamento das acusações. O espaço segue aberto.
Em contato com o Metrópoles nesta sexta-feira (25/9), Vini Biólogo negou ter aplicado golpes nos clientes que compraram os pacotes da Expedição Amazônia. Segundo ele, após a pandemia de Covid-19, enfrentou dificuldades financeiras. O influenciador afirma ainda que uma ação movida contra o SBT foi o estopim para o agravamento da situação.
Vini afirma que o SBT deixou de fazer pagamentos referentes a mais de 11 meses de trabalho no programa Expedição Animal, exibido pela emissora por quase um ano. Na ação, ele cobra mais de R$ 1,2 milhão em indenização por danos morais e materiais, incluindo despesas que afirma ter arcado durante a produção, como equipamentos e viagens para as gravações.
No contato, Vinícius ainda alegou que “passa por uma situação bem delicada” e promete que se prepara para ressarcir os compradores. “No começo do ano eu pretendo começar a fazer as devoluções, não existe golpe. Judicialmente, eu vou resolver o que foi condenatório e, com certeza, estão corretos. Em alguns casos, eu não respondi ao processo, não tinha condição diante de tudo o que estava acontecendo”.
Por fim, Vinicius alegou: “Essas pessoas que estão irritadas, que AINDA não tiveram o ressarcimento — mas terão com certeza —, estão tentando destruir a minha reputação a todo custo.”
Fernanda Rúbia, advogada especialista em direito empresarial, explicou que, nas relações de consumo, “quando o serviço contratado não é prestado, o consumidor pode exigir a restituição dos valores pagos e, conforme o caso, a reparação de outros prejuízos comprovados”.
“Do ponto de vista jurídico, o que chama atenção não é apenas a existência de reclamações de consumidores, mas a repetição de processos envolvendo o mesmo tipo de serviço, em anos diferentes, e o fato de já existirem decisões de mérito reconhecendo, em casos concretos, contratação, pagamento e ausência de prestação do serviço”, completa.
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