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Trivela tática: Como Mourinho pode ‘arrumar’ a relação entre talento e equilíbrio no Real Madrid

O retorno de José Mourinho ao Real Madrid deveria representar a chegada de um treinador capaz de organizar um elenco que parece maior do que a estrutura tática consegue comportar. O início da temporada 2026/27, porém, mostra que o português ainda está diante do mesmo problema que seus antecessores enfrentaram. A derrota por 2 a …

Luiz Felipe
Por Luiz Felipe
Trivela tática: Como Mourinho pode ‘arrumar’ a relação entre talento e equilíbrio no Real Madrid
O retorno de José Mourinho ao Real Madrid deveria representar a chegada de um treinador capaz de organizar um elenco que parece maior do que a estrutura tática consegue comportar. O início da temporada 2026/27, porém, mostra que o português ainda está dia
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Trivela tática: Como Mourinho pode ‘arrumar’ a relação entre talento e equilíbrio no Real Madrid

O retorno de José Mourinho ao Real Madrid deveria representar a chegada de um treinador capaz de organizar um elenco que parece maior do que a estrutura tática consegue comportar. O início da temporada 2026/27, porém, mostra que o português ainda está diante do mesmo problema que seus antecessores enfrentaram.

A derrota por 2 a 1 para o Atlético de Madrid, antes da pausa para a Data Fifa, expôs essas dificuldades. O Real teve problemas para progredir, encontrou pouco espaço para seus atacantes e permitiu que o adversário controlasse a região central. Quando tentou reagir, encontrou uma equipe mais organizada e preparada para explorar os espaços deixados pelos Blancos.

O Atlético tornou mais evidente uma questão que acompanha o Real desde o começo da temporada: o time ainda não decidiu como quer jogar quando todos os seus principais astros estão em campo. Talvez a primeira decisão de Mourinho seja entender que o problema não está na falta de talento, mas no excesso dele.

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Real Madrid: Notícias, rumores, transferências e mercado

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Real Madrid tem dependência a Mbappé e Vinícius em baixa

A temporada começou com Kylian Mbappé assumindo novamente o papel de principal referência ofensiva do Real Madrid. Isso, por si só, não é um problema. O francês tem capacidade para decidir partidas em praticamente qualquer contexto. A questão é o que acontece quando ele não está disponível.

A lesão sofrida por Mbappé durante a Data Fifa aumenta uma preocupação que já existia antes dela. O francês tem sido responsável por uma parcela enorme da produção ofensiva do time, justamente enquanto Vinícius Junior atravessa um momento abaixo do padrão que estabeleceu no clube.

O brasileiro chegou aos 26 anos como um dos principais jogadores do mundo, mas iniciou a temporada sem encontrar a mesma eficiência. Em seus primeiros oito jogos entre LaLiga e Champions League, havia marcado apenas uma vez. Mais importante do que o número em si é a sensação deixada por suas atuações: parece menos confiante, especialmente nas decisões próximas ao gol.

Vinicius Junior em jogo do Real MadridVinicius Junior em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO/Alterphotos)

Vinicius não é apenas um jogador que Mourinho precisa fazer voltar a marcar. É uma peça que pode alterar a geometria inteira do ataque. Quando está em seu melhor nível, o brasileiro obriga a defesa adversária a recuar, abre corredores para os companheiros e cria situações em que o Real pode atacar rapidamente após recuperar a bola.

Sem essa ameaça, o Real fica mais dependente de Mbappé. E um ataque que já precisa acomodar Jude Bellingham, Arda Güler e outros jogadores criativos acaba ficando previsível quando o francês é a única fonte constante de desequilíbrio.

É por isso que colocar Vini no banco não parece a solução mais interessante. Mourinho pode até precisar fazê-lo em algum momento, principalmente se a queda de rendimento continuar, mas o problema é maior do que escolher entre o brasileiro e Yan Diomande.

O atacante marfinense oferece uma possibilidade diferente. Diomande, que teve poucas oportunidades como titular apesar de ter custado 125 milhões de euros, apresenta características para aumentar a intensidade do time: é agressivo no um contra um, consegue atacar por fora e por dentro e demonstra disposição para participar da pressão e recomposição.

O melhor Vini Jr, no entanto, continua sendo a solução mais importante. Mas Mourinho também precisa estabelecer uma competição real no setor ofensivo. Se Vinicius não estiver rendendo, Diomande deve ser uma alternativa esportiva, não apenas um reserva de luxo contratado por uma fortuna.

Bellingham, Güler e Bernardo: Mourinho ainda não sabe quem deve controlar o jogo

Desde as saídas de Toni Kroos e Luka Modric, o Real Madrid perdeu dois jogadores que ofereciam algo difícil de substituir: controle. Não necessariamente intensidade, potência física ou capacidade de chegar à área, mas a habilidade de ditar o ritmo, escolher quando acelerar e quando desacelerar e oferecer uma saída segura para a equipe em diferentes alturas do campo.

Mourinho tentou responder a isso com um 4-2-3-1 mais físico. Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni formam uma base capaz de cobrir muito campo e proteger a defesa, com Jude Bellingham à frente deles. É uma estrutura que oferece segurança física, mas pode deixar o Real dependente demais de ações individuais para progredir.

Bernardo Silva, meia-atacante do Real Madrid e da seleção portuguesaBernardo Silva, meia-atacante do Real Madrid e da seleção portuguesa (Foto: Cesar Cebolla / Pressinphoto / IMAGO)

É aí que Arda Güler e Bernardo Silva entram na discussão. O turco foi provavelmente o meio-campista mais criativo do Real neste início de temporada. Sua capacidade de receber entre linhas, girar sob pressão e encontrar passes verticais oferece algo que o time perde quando prioriza apenas força e cobertura.

Bernardo, por outro lado, tem uma característica diferente: talvez não seja tão vertical quanto Güler, mas é capaz de controlar a posse, circular por diferentes zonas e ajudar a equipe a escapar da pressão. O dilema de Mourinho é que colocar um deles mais próximo de Tchouaméni pode melhorar o controle com a bola, mas também diminui a proteção sem ela. E é aqui que o treinador precisa tomar uma decisão sobre qual problema prefere ter.

Bellingham, por sua vez, tem atuado como camisa 10 e mostrou pela seleção que continua confortável nessa função. Mas sua presença também pode dificultar a utilização simultânea de Güler e Bernardo, principalmente se Mourinho quiser manter dois volantes atrás dele.

O treinador, portanto, precisa decidir se Bellingham será o meia que organiza o ataque ou o jogador que chega ao ataque a partir de uma estrutura organizada por outros. Parece uma diferença pequena, mas muda completamente a maneira como o time constrói jogadas.

Bellingham é excelente chegando à área, atacando espaços e pressionando, mas não necessariamente precisa ser o principal responsável por criar desde o primeiro passe. Güler e Bernardo podem oferecer características diferentes justamente porque conseguem atuar mais próximos da construção.

Isso abre uma possibilidade: em vez de tentar encaixar todos os craques na mesma altura do campo, Mourinho pode distribuir responsabilidades. Um jogador controla, outro conecta e outro ataca. É o tipo de hierarquia que o Real ainda não encontrou.

A defesa não pode pagar a conta do ataque

Existe também um problema mais urgente: o Real Madrid não pode construir uma equipe ofensivamente sofisticada se continuar oferecendo tantas oportunidades ao adversário. O time sofreu gols em sete dos oito jogos disputados na temporada. Mais preocupante do que o número é a natureza das chances concedidas. Adversários encontraram maneiras de ameaçar uma defesa que ainda não transmite segurança.

Parte disso pode ser explicada pelas circunstâncias. Lesões atingiram o setor, e Mourinho tem sido obrigado a alterar constantemente sua linha defensiva. Éder Militão e Ferland Mendy seguem fora por problemas físicos, Raúl Asencio passou por cirurgia durante a Data Fifa e Ibrahima Konaté também se tornou dúvida depois de se lesionar com a França.

Mas nem tudo pode ser colocado na conta das lesões. E isso leva o debate novamente ao meio-campo. Se Mourinho colocar mais jogadores criativos juntos, precisará garantir que a equipe não fique exposta. Se mantiver uma dupla física na base, precisará encontrar maneiras melhores de sair da pressão e conectar o meio ao ataque. A questão não é simplesmente “jogar mais defensivamente”. É defender melhor a partir da organização com a bola.

Essa dinâmica também influencia a discussão sobre Trent Alexander-Arnold. O inglês oferece uma qualidade de passe que poucos laterais possuem, mas Mourinho parece preocupado com o que acontece quando ele precisa defender grandes espaços. Se o restante da equipe não estiver bem organizado, esse problema se torna ainda maior.

Mourinho precisa definir uma hierarquia no Real Madrid

José Mourinho pelo Real Madrid (Foto: Imago/Pressinphoto)

O retorno de Mourinho ao Real Madrid foi pensado também como uma aposta em sua personalidade. Ele conhece o clube, a pressão do Bernabéu e, sobretudo, não costuma fugir de decisões difíceis.

As vaias que atingiram Vinícius e outros jogadores mostram que o ambiente pode rapidamente se deteriorar caso o time não responda em campo. O problema é que, no Real Madrid, uma sequência ruim não gera apenas pressão sobre o treinador. E Mourinho não precisa encontrar uma maneira de deixar todos satisfeitos. Basta escolher o que acredita ser melhor para a equipe e fazer os jogadores aceitarem essa hierarquia.

Isso pode significar deixar uma estrela no banco, ou reduzir os minutos de um jogador importante. É aí que a personalidade de Mourinho pode ser mais importante do que qualquer desenho tático. O treinador não precisa transformar o Real em um time defensivo nem inventar uma formação revolucionária. Precisa estabelecer uma lógica: quem dá controle, quem cria, quem ataca profundidade e quem protege.

A sequência que começa contra o Villarreal será um teste para o trabalho de Mourinho. O calendário ainda reserva o primeiro confronto com o Barcelona no Camp Nou. Agora, não é apenas uma questão de resultados. Mourinho precisa utilizar essas partidas para descobrir qual versão do Real Madrid consegue ser competitiva contra adversários de diferentes características.

A lesão de Mbappé torna o teste ainda mais interessante. Sem seu principal produtor ofensivo, o Real precisará encontrar outras maneiras de criar e marcar. Isso pode obrigar Vini a assumir protagonismo, abrir espaço para Diomande ou fazer Bellingham e Güler receberem responsabilidades maiores.

Essa é a equação que Mourinho precisa resolver: o Real Madrid tem jogadores suficientes para marcar muitos gols, mas ainda não tem uma estrutura suficientemente confiável para controlar as partidas.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos

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