O Supremo Tribunal Federal (STF) oficializou, nesta quarta-feira (11/6), o pedido de extradição da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. O ofício eletrônico com a solicitação foi enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e assinado pelo juiz auxiliar Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, que atua no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
A parlamentar deixou o Brasil dias após a condenação, tendo passado pela fronteira terrestre com a Argentina antes de seguir para a Europa. Atualmente, segundo informações divulgadas por ela própria nas redes sociais, Carla Zambelli está na Itália — país escolhido como alvo do pedido de extradição por conta da existência de tratados internacionais entre os dois países.
Na decisão encaminhada ao MJ, o STF detalhou as razões da condenação. De acordo com o documento, Zambelli "comandou a invasão a sistemas institucionais utilizados pelo Poder Judiciário", contando com apoio técnico e logístico de terceiros para alterar dados no sistema do CNJ e inserir um falso mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.
“[Ela agiu] mediante planejamento, arregimentação e comando de pessoa com aptidão técnica e meios necessários ao cumprimento de tal mister, com o fim de adulterar informações, sem autorização expressa ou tácita de quem de direito”, diz trecho do ofício.
Além da pena privativa de liberdade, a parlamentar foi condenada a pagar uma multa de R$ 2 milhões por danos coletivos. Para garantir esse valor, o STF já determinou o bloqueio dos salários e recursos do gabinete da deputada, bem como a perda do mandato, medida que tramita na Câmara dos Deputados.
Com a inclusão do seu nome na lista vermelha da Interpol — destinada a pessoas procuradas internacionalmente —, Carla Zambelli torna-se alvo de alerta global. Caso seja localizada em território italiano, as autoridades brasileiras passam a depender de análise jurídica bilateral para a possível concessão da extradição.
O caso reacende o debate sobre os limites entre liberdade política e condutas criminosas no exercício do mandato parlamentar. Enquanto aliados defendem que a deputada está sendo “perseguida política e judicialmente”, críticos afirmam que ela cometeu crime doloso e precisa responder na justiça comum.
Enquanto isso, o processo segue em andamento e o mundo político aguarda a resposta das autoridades italianas e do Ministério da Justiça brasileiro diante do novo capítulo dessa polêmica história.
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