O Senado Federal iniciou, nesta terça-feira (4/11), a reunião de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o crime organizado no Brasil. A iniciativa é de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e terá duração inicial de 120 dias, com foco no crescimento das facções criminosas e milícias em diferentes regiões do país.
Durante a sessão de abertura, os parlamentares começaram a discutir a escolha do presidente, do vice-presidente e do relator da comissão, etapa necessária para o início efetivo dos trabalhos.
A instalação da CPI ocorre dois dias após a megaoperação policial que resultou em 121 mortes nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro — episódio que reacendeu o debate sobre o avanço da criminalidade e a resposta do Estado.
Em suas redes sociais, o autor do requerimento, senador Alessandro Vieira, afirmou que o crescimento do crime organizado é consequência do “abandono do poder público”.
“Essa tragédia tem solução. Não é pauta eleitoreira, é urgência nacional”, destacou o parlamentar.
A CPI será composta por 11 senadores titulares, dos quais 10 já foram indicados pelas lideranças partidárias. O cenário político, contudo, promete disputas acirradas pelos cargos de comando.
Na disputa pela presidência da comissão, a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta emplacar o senador Fabiano Contarato (PT-ES), enquanto a ala de oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) articula o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A relatoria é praticamente certa de ficar sob responsabilidade do senador Alessandro Vieira, que garantiu uma condução técnica e apartidária da investigação. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que pretende ouvir o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mas também os governadores da Bahia e do Ceará, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Não se trata de uma CPI contra este ou aquele governo, mas de uma investigação para entender como o crime organizado se infiltrou nas estruturas do Estado e como podemos combatê-lo com eficácia”, declarou Vieira.
A expectativa é que, após a definição da presidência e relatoria, a CPI comece a ouvir autoridades e especialistas já nas próximas semanas, com a possibilidade de convocações de governadores, ministros e chefes de segurança pública.
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