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Contratado no início da temporada como o reforço mais caro da história do Milan, Gonçalo Ramos ainda não conseguiu justificar o investimento de 70 milhões de euros feito pelo clube italiano. O atacante português atravessa um momento de dificuldade em San Siro, com números ofensivos abaixo do esperado e uma participação limitada na construção das jogadas. O cenário é especialmente preocupante para um jogador que chegou com a responsabilidade de assumir a camisa 9.
Os dados ajudam a dimensionar o tamanho do problema. Em 13 partidas disputadas nesta temporada, Ramos acertou apenas 11 finalizações na direção do gol, uma média inferior a uma tentativa por jogo. A partir desses dados, a “Gazzetta dello Sport” calculou o custo de cada chute do centroavante na baliza: aproximadamente 6,3 milhões de euros (R$ 38 milhões), considerando o valor desembolsado pelo Milan em sua contratação.
O investimento elevado e a produção modesta colocam o português sob pressão, sobretudo diante da expectativa de que ele se tornasse uma referência ofensiva da equipe. A situação também reacende a discussão sobre o peso da camisa 9 em San Siro, número que se tornou um problema recorrente para os atacantes do Milan na última década.
Gonçalo Ramos no Milan: camisa 9 e números abaixo das expectativas
Desde que chegou à Itália, Gonçalo Ramos apresenta um desempenho que contrasta com seus resultados pela seleção portuguesa. Durante a última Data Fifa, o atacante marcou em três partidas consecutivas, demonstrando uma capacidade de finalização que ainda não conseguiu reproduzir com regularidade no clube. Pelo Milan, são somente três gols em 13 jogos disputados.
Na Serie A, o cenário é ainda mais restrito. Ramos balançou as redes duas vezes em dez partidas: a primeira contra o Venezia, no fim de agosto, e a segunda em uma cobrança de pênalti diante da Atalanta, em meados de outubro. Os números levantados pela “Gazzetta dello Sport” também mostram uma participação ofensiva distante dos principais goleadores do campeonato.
O português ocupa a 16ª posição no ranking de tentativas de finalização, com 25 chutes, e aparece em 15º lugar entre os jogadores com mais arremates na direção do gol, com 11. Já no indicador de gols esperados por 90 minutos (xG), Ramos aparece só na 50ª colocação, com 0,20. O índice é semelhante ao registrado por Gleison Bremer, zagueiro da Juventus, o que evidencia a baixa produção ofensiva do centroavante.
A dificuldade de participar das ações no campo de ataque também ficou evidente no confronto contra o Ferencváros. Na partida, o português teve apenas 26 toques na bola e tentou duas finalizações, ambas para fora. A atuação reforçou a percepção de que o atacante ainda encontra dificuldades para se envolver no jogo e transformar sua presença em oportunidades efetivas.
Histórico recente aumenta pressão sobre o atacante
O momento vivido no Milan não é totalmente isolado na trajetória recente de Gonçalo Ramos. Na temporada passada, pelo PSG, o atacante marcou 12 gols em 45 partidas. No ano anterior, também pelo clube francês, foram 19 gols em 46 jogos, em campanhas nas quais atuou majoritariamente como opção no banco de reservas.
Seu melhor desempenho individual continua sendo o da temporada 2022/23, quando defendia o Benfica. Naquele período, Ramos marcou 19 gols no Campeonato Português e terminou o ano com 27 tentos em 47 partidas oficiais. O rendimento o projetou como um dos principais atacantes portugueses de sua geração e contribuiu para sua valorização no mercado europeu.
Agora, no Milan, o desafio é recuperar esse nível e transformar o investimento do clube em resultados dentro de campo. Com 28 rodadas ainda por disputar na Serie A, o português tem tempo para mudar o rumo da temporada, melhorar sua participação ofensiva e recuperar a confiança dos torcedores. Para um atacante contratado por 70 milhões de euros, porém, cada partida sem uma resposta concreta aumenta a cobrança em San Siro.
