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Domingo, 19 de Abril de 2026

Saúde e Beleza

Pesquisa brasileira valida exame de sangue para diagnóstico de Alzheimer

Estudos nacionais confirmaram a proteína p-tau217 como biomarcador promissor, abrindo caminho para um diagnóstico mais acessível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Pesquisa brasileira valida exame de sangue para diagnóstico de Alzheimer
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Cientistas brasileiros avançam no diagnóstico da doença de Alzheimer com a validação de um exame de sangue para a detecção da condição. Pesquisas recentes confirmaram o alto potencial da proteína p-tau217 como o principal biomarcador para distinguir, por meio de uma simples coleta de sangue, pessoas saudáveis de indivíduos com a doença. O objetivo final dos estudos, apoiados pelo Instituto Serrapilheira, é disponibilizar essa ferramenta de diagnóstico em larga escala no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desafio do diagnóstico atual

Atualmente, o Brasil conta com duas formas principais de diagnóstico assistido por biomarcadores para o Alzheimer: o exame de líquor e a tomografia. Eduardo Zimmer, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apoiado pelo Instituto Serrapilheira, ressalta as limitações desses métodos para um país continental como o Brasil:

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Exame de líquor: É um procedimento invasivo, que exige punção lombar e necessita de infraestrutura e profissionais especializados, como neurologistas.

Exame de imagem (tomografia): Possui um custo muito elevado, o que inviabiliza seu uso em larga escala na rede pública.

Segundo Zimmer, a única forma de detecção antes desses exames era o diagnóstico clínico, baseado unicamente nos sintomas do paciente.

Resultados de alta confiabilidade

A pesquisa, que contou com a assinatura de 23 pesquisadores (incluindo oito brasileiros), revisou mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas, confirmando a p-tau217 no sangue como o biomarcador mais promissor.

Os testes de Zimmer e sua equipe na UFRGS, que incluíram a análise de 59 pacientes e comparações com o “padrão ouro” (o exame de líquor), demonstraram um alto nível de confiabilidade, superior a 90%, o padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os resultados foram replicados por um grupo de pesquisadores do Instituto D’Or, no Rio de Janeiro, e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), incluindo os professores Sérgio Ferreira, Fernanda De Felice e Fernanda Tovar-Moll. O fato de duas regiões diferentes, com características socioculturais e genéticas distintas, terem chegado aos mesmos resultados reforça a robustez do biomarcador.

Fatores de risco e impacto social

O diagnóstico precoce da doença de Alzheimer é um dos maiores desafios de saúde pública global. A OMS estima que aproximadamente 57 milhões de pessoas no mundo vivam com algum tipo de demência, e pelo menos 60% desses casos são Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência (2024) estima cerca de 1,8 milhão de pessoas com a doença, com a previsão de que esse número possa triplicar até 2050.

Os cientistas também identificaram que a baixa escolaridade acentua a doença, sendo um fator de risco mais importante para o declínio cognitivo do que a idade e o sexo. O pesquisador explica que a exposição à educação formal cria mais conexões cerebrais, tornando o cérebro mais resistente ao declínio cognitivo.

Inclusão no SUS

Embora o diagnóstico por exame de sangue já esteja disponível na rede privada (com testes importados, como o americano PrecivityAD2, custando cerca de R$ 3,6 mil), a pesquisa busca uma alternativa nacional e gratuita.

Para que o exame chegue ao SUS, Zimmer explica que é necessário, primeiro, confirmar o bom desempenho em larga escala e, em seguida, estabelecer a estratégia e a logística. Isso inclui definir onde e quando as análises serão feitas e qual população será beneficiada. Os resultados definitivos da pesquisa são esperados em cerca de dois anos.

Além disso, a equipe iniciará estudos com indivíduos com mais de 55 anos para mapear a prevalência da doença na chamada fase pré-clínica, momento em que o Alzheimer começa a se instalar, mas os sintomas ainda não são aparentes.

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