O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Pedro Campos (PE), respondeu neste domingo (27/7) às declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a relação entre as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e os processos judiciais enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas redes sociais, Pedro Campos afirmou que “ninguém quer um país destruído economicamente ao custo da impunidade de pessoas culpadas”, em clara resposta a um tuíte de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e tem responsabilizado o Judiciário brasileiro pelo chamado "tarifaço" norte-americano.
No sábado (26), Eduardo escreveu: “Ninguém quer um país próspero economicamente ao custo do sofrimento de pessoas inocentes”. O deputado também comentou um recente acordo comercial fechado pelo presidente norte-americano Donald Trump com a União Europeia, reduzindo a taxação de 30% para 15% sobre produtos importados, e insinuou que o Brasil não estaria sendo tratado da mesma forma por conta de supostas perseguições políticas.
"Na União Europeia ninguém fingiu nos termos ditos por Trump. No Brasil, até hoje, certas autoridades propositalmente dizem não entender as premissas originais das sanções", disse Eduardo. “Trump deixou isso claro”, completou, em referência às críticas do ex-presidente dos EUA ao cenário político brasileiro.
Pedro Campos, cujo partido, o PSB, é o mesmo do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, reagiu dizendo que o Brasil não pode ser refém de interesses pessoais. Alckmin tem liderado, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os esforços para negociar com Washington a derrubada do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil — medida que afetou diversos setores da indústria nacional.
A troca de declarações revela o aumento das tensões entre aliados de Bolsonaro e o governo brasileiro, num momento em que as relações comerciais internacionais ganham contornos políticos. O Planalto, por sua vez, tenta dissociar as questões jurídicas do ex-presidente das negociações econômicas, buscando manter o diálogo com os Estados Unidos em um campo técnico e diplomático.
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