A atuação de Nelson Gustavo Amarilla Elizeche, conhecido como “Nortenho”, chefão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na fronteira com o Paraguai, está no centro de uma complexa investigação que expôs o uso de mulheres como mulas no tráfico internacional de cocaína, a corrupção de policiais e a ostentação de armamento pesado por líderes da facção. Detalhes sobre os crimes de Nortenho e seus comparsas foram revelados na decisão judicial que manteve os líderes do PCC presos após a Operação Blacklist, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
Na última semana, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) negou a liberação dos presos ligados a Nortenho. A operação, que resultou em nove mandados de prisão em São Paulo e Mato Grosso, teve início em 2022 e se concentrou inicialmente no tráfico de cocaína para países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia. No entanto, a investigação revelou tráfico internacional de drogas, corrupção policial e a venda de armas, que alimentavam a operação criminosa do PCC no Brasil e na fronteira.
Nortenho foi preso em setembro de 2024, na cidade de Cascavel, no Paraná, região estratégica de tráfico entre Brasil e Paraguai. Ele foi encontrado passeando em um carro de luxo avaliado em R$ 1 milhão. Conhecido por movimentar dezenas de milhões de reais, Nortenho também é famoso por ostentar armamento pesado, com fuzis de guerra, em vídeos gravados por ele e seus comparsas.
A Polícia Federal (PF) descobriu que Claudio Julio dos Santos, conhecido como “Piolho”, e Sidney Augusto Magalhães, o “Colt”, ambos aliados de Nortenho, eram líderes de células do PCC que também ostentavam armamentos de grosso calibre em vídeos compartilhados nas redes sociais. Em um dos vídeos, Piolho descreve o arsenal da facção com detalhes, como fuzis de 7.62 e AK-47, além de munições de calibres pesados.
“15 fuzis 7.62 x 51, uma .30 e uma .50 entendeu? E munição variada, tanto de 7.62 x 51, quanto de AK-47. Só não veio munição de 50”, diz Piolho na gravação.
Além do tráfico e das armas, a investigação revelou que os líderes do PCC mantinham uma rede de corrupção com agentes de segurança pública, que facilitavam o tráfico de drogas e acobertavam as atividades criminosas. O uso de mulheres como mulas no tráfico internacional, que era a origem da investigação inicial, também veio à tona, com o envolvimento de redes criminosas de diversos estados brasileiros, que buscavam formas de escoar a cocaína para fora do país, principalmente para o Paraguai e outros destinos internacionais.
A prisão de Nortenho e seus comparsas é um golpe significativo para a facção, que tem usado a região de Cascavel como uma base de operações estratégica para suas atividades criminosas. No entanto, o combate ao tráfico internacional de drogas e à corrupção policial na região continua sendo um desafio para as autoridades brasileiras, que seguem monitorando as ações do PCC na fronteira com o Paraguai.
A Operação Blacklist revela a complexidade da atuação da facção, que não só se sustenta no tráfico de drogas, mas também na compra de armas pesadas e no controle de setores policiais, o que torna ainda mais difícil a erradicação de sua presença na região.
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