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Terça-feira, 02 de Junho de 2026

Policial

Nenhum dos 115 mortos em megaoperação do Rio constava na decisão judicial que decretou as prisões

A análise da decisão que autorizou a Operação Contenção revela que os 115 suspeitos mortos não eram os 58 réus com prisão preventiva decretada, que incluíam líderes de alta hierarquia do Comando Vermelho (CV) como "Doca".

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Nenhum dos 115 mortos em megaoperação do Rio constava na decisão judicial que decretou as prisões
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Uma análise da decisão judicial que autorizou a megaoperação da Polícia Civil e Militar nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro (em 28 de outubro), revelou uma discrepância significativa entre os alvos prioritários e os mortos.

O Governo do Rio divulgou o perfil de 115 suspeitos mortos no confronto (além de 4 policiais), mas uma análise da decisão da 42ª Vara Criminal mostra que nenhum desses 115 nomes constava entre os 58 réus que tiveram a prisão preventiva decretada.

  • Alvos Judiciais Prioritários: A decisão visava indivíduos de alta hierarquia do Comando Vermelho (CV), como Edgar A. de A., vulgo “Doca” (principal alvo foragido), e Pedro P. G., vulgo “Pedro Bala”.
  • Perfil dos Mortos: Dos 115 nomes divulgados pelo governo, 97 possuíam alguma passagem criminal (a maioria por tráfico), e 59 tinham mandados de prisão em aberto. A média de idade dos mortos identificados é de 28 anos, com dois menores de 18 anos.
Comprovação de Vínculo e Justificativa da Polícia Civil

O secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, defendeu a legalidade da operação, assegurando que mais de 95% dos identificados tinham vínculo comprovado com o Comando Vermelho. Ele argumentou que, na ausência de histórico criminal, a ligação com o CV foi feita por meio de “fotos em redes sociais” portando armas.

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Curi afirmou que os suspeitos que não tinham anotações criminais, mas morreram no confronto, foram “narcoterroristas que saíram do anonimato” ao reagir à abordagem:

“Se eles não tivessem reagido à abordagem dos policiais, teriam sido presos em flagrante pelo porte de fuzis, granadas e artefatos explosivos, por tentativa de homicídio contra os agentes de segurança e também pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico de drogas.”

Balanço Final da Operação Contenção

A megaoperação “Contenção”, que se tornou a mais letal da história do país (superando o Massacre do Carandiru), resultou em:

  • Mortos: 121 (117 suspeitos e 4 policiais).
  • Presos: 113 pessoas, incluindo Thiago do N. M., o “Belão”, braço direito de “Doca”.
  • Armas Apreendidas: 118 armas, sendo 91 fuzis.

Diante do cenário de crise e violência, os governos federal e estadual anunciaram a criação de um escritório conjunto para intensificar a cooperação no combate ao crime organizado.

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