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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026

Política

Moraes proíbe uso de farda por réus em depoimento sobre golpe

Ministro do STF determina que militares sejam interrogados com roupas civis.

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Moraes proíbe uso de farda por réus em depoimento sobre golpe
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vetou o uso de uniforme militar durante o depoimento dos réus do núcleo 3 da trama golpista. Este grupo é acusado de tentar manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições. A decisão foi publicada em 28 de julho de 2025, em Brasília.

Segundo o juiz auxiliar Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, que atua no gabinete de Moraes, a ordem é para que os réus sejam interrogados com roupas civis. A justificativa é que “a acusação é voltada contra os militares, não contra o Exército Brasileiro como um todo”.

Questionamentos das defesas e argumento do ministro

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A determinação de Moraes foi questionada pelas defesas de dois tenentes-coronéis da ativa, Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima. Ambos foram solicitados a se retirar do local de interrogatório para trocar de roupa.

A defesa do tenente-coronel Rafael Martins, que está preso em uma unidade militar e, por obrigação, permanece fardado durante todo o dia, alegou constrangimento ilegal e violação da dignidade da pessoa humana. O advogado Luciano Pereira Alves de Souza, que representa Hélio Ferreira Lima, classificou a situação como “vexatória”, pois exigia que o réu “retire a roupa que ele está vestindo e pegar uma roupa emprestada”. O defensor destacou que, por ser militar da ativa, o cliente passa todo o horário comercial fardado e não houve aviso prévio para que comparecesse sem o uniforme. Ambas as defesas argumentaram que não há previsão legal para tal determinação.

Berlinque Cantelmo, presidente da Comissão Nacional de Direito Penal Militar da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), criticou a medida, afirmando que “não faz parte das atribuições do Poder Judiciário”. Ele ressaltou que as Forças Armadas têm autonomia para determinar o uso da farda, e somente a elas caberia tal proibição. O advogado também criticou o argumento de que o Exército não está sendo processado, pois os réus “somente respondem ao processo por ocuparem cargos estratégicos na força militar”.

O núcleo 3 da trama golpista e as acusações

Os dois tenentes-coronéis, Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima, integram as Forças Especiais do Exército, informalmente conhecidas como “kids pretos” devido à boina que utilizam.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), com base em investigações da Polícia Federal (PF), os dois estavam em Brasília, em 15 de dezembro de 2022, monitorando a movimentação de Alexandre de Moraes. O objetivo seria aguardar uma ordem para colocar em prática um plano de sequestro e possível execução do ministro. A PGR afirma que o plano foi abortado devido à resistência do então comandante do Exército, general Freire Gomes. Entre as provas apresentadas, há conversas em aplicativos de mensagem e documentos, incluindo a aquisição de um aparelho celular “descartável” por Rafael Martins para a ação.

O núcleo 3 da trama golpista é composto por nove militares e um policial federal. Eles são acusados de realizar ações de campo para efetivar o golpe, incluindo um plano para “neutralizar” adversários, e de promover uma campanha para pressionar o alto comando das Forças Armadas a aderir ao complô golpista.

Os interrogatórios estão sendo realizados por videoconferência, com transmissão ao vivo pelo canal do STF no YouTube e pela TV Justiça.

Confira a lista dos réus que estão sendo interrogados nesta segunda-feira:

Bernardo Romão Correa Netto (coronel)

Estevam Theóphilo (general)

Fabrício Moreira de Bastos (coronel)

Hélio Ferreira (tenente-coronel)

Márcio Nunes De Resende Júnior (coronel)

Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)

Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)

Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)

Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)

Wladimir Matos Soares (policial federal)

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