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Terça-feira, 16 de Junho de 2026

Rondônia

Mofo dentro de casa pode aumentar crises alérgicas e problemas respiratórios em crianças

Pediatra alerta que fungos presentes em ambientes úmidos podem desencadear rinite, asma e até favorecer infecções respiratórias

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Mofo dentro de casa pode aumentar crises alérgicas e problemas respiratórios em crianças
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Com a chegada do período de chuvas e o aumento da umidade, um problema comum em muitas residências volta a ganhar força: o aparecimento de mofo em paredes, móveis, roupas e ambientes pouco ventilados. O que muitas pessoas enxergam apenas como uma questão estética pode representar um risco importante para a saúde, especialmente das crianças.

Segundo o médico pediatra e docente da Afya Centro Universitário São Lucas, Elierson Rocha, o mofo é formado por fungos que se desenvolvem em locais úmidos e liberam partículas microscópicas no ar, conhecidas como esporos. Quando inaladas, podem desencadear processos inflamatórios e agravar doenças respiratórias. “O mofo não é apenas uma mancha na parede. Para crianças que apresentam predisposição à alergia, ele funciona como um gatilho constante de inflamação das vias respiratórias. Muitas vezes, a criança passa o dia respirando esses esporos sem que a família perceba”, explica.

De acordo com o especialista, as crianças são mais vulneráveis porque o organismo ainda está em desenvolvimento. Além disso, respiram mais rapidamente do que os adultos, aumentando a exposição às partículas presentes no ambiente.

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Sintomas podem ser confundidos com resfriados frequentes

Entre os sinais mais comuns relacionados à alergia ao mofo estão nariz entupido, coriza persistente, espirros frequentes, coceira nos olhos e no nariz, tosse seca, olhos avermelhados e irritação na garganta. “Muitas famílias acreditam que a criança está constantemente resfriada, quando na verdade ela pode estar sofrendo os efeitos da exposição contínua ao mofo dentro de casa”, alerta Elierson.

O problema também está diretamente associado ao agravamento de doenças alérgicas bastante comuns na infância. “O mofo é um dos principais desencadeadores de crises de asma, rinite alérgica e dermatite atópica. É como se ele mantivesse as vias respiratórias permanentemente irritadas, favorecendo um ciclo contínuo de inflamação”, afirma.

Além das alergias, a exposição prolongada aos fungos pode comprometer as defesas naturais do organismo. Segundo o médico, crianças alérgicas que vivem em ambientes com presença constante de mofo tendem a apresentar mais episódios de sinusite, otite e outras infecções respiratórias. “Quando as vias respiratórias permanecem inflamadas por muito tempo, elas ficam mais vulneráveis à ação de vírus e bactérias. Por isso, combater o mofo também é uma forma de prevenir infecções”, destaca.

Características da casa também influenciam no surgimento do problema

Além dos impactos na saúde, fatores relacionados à construção e ao uso dos imóveis podem favorecer o aparecimento do mofo.

De acordo com o arquiteto e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Afya São Lucas, Thiago Marques, residências com pouca ventilação natural, baixa incidência de luz solar e excesso de áreas fechadas costumam apresentar maior risco de umidade. “Imóveis com pouca ventilação cruzada, quando o ar não consegue circular adequadamente pelos ambientes, tendem a acumular mais umidade. Ambientes pouco ensolarados, paredes próximas a terrenos úmidos e falhas de impermeabilização também favorecem o surgimento do mofo”, explica.

Segundo o especialista, a ventilação e a iluminação natural são aliadas importantes na prevenção. “A ventilação ajuda a renovar o ar e reduzir o acúmulo de vapor d’água. Já a luz solar contribui para manter as superfícies mais secas, dificultando a proliferação dos fungos. Abrir as janelas diariamente é uma medida simples e extremamente eficiente”, orienta.

Móveis encostados na parede podem favorecer o bolor

Outro hábito comum que contribui para o problema é o posicionamento inadequado dos móveis. “Móveis encostados diretamente nas paredes dificultam a circulação de ar e criam áreas propícias à condensação da umidade. Isso acontece com frequência em quartos climatizados. O ideal é manter um pequeno afastamento entre os móveis e a parede para permitir ventilação”, explica Thiago.

Entre os erros mais comuns observados nas residências estão manter ambientes fechados por longos períodos, secar roupas dentro de casa sem ventilação adequada, negligenciar pequenos vazamentos, bloquear janelas com móveis e não permitir a entrada de luz natural. “Em regiões úmidas como Rondônia, esses hábitos potencializam rapidamente o aparecimento dos fungos”, afirma.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o controle da umidade depende mais de hábitos cotidianos do que de grandes investimentos.

Entre as principais recomendações estão manter a casa ventilada, abrir portas e janelas diariamente, permitir a entrada de luz solar, corrigir vazamentos e manter móveis afastados das paredes.

Também é importante higienizar adequadamente áreas com sinais de bolor e reduzir o acúmulo de objetos que concentram poeira e umidade, como tapetes, carpetes e bichos de pelúcia, especialmente nos quartos infantis.

Outro cuidado importante é evitar o uso de vassouras ou espanadores sobre superfícies mofadas. “Essas práticas espalham os esporos pelo ambiente. O ideal é realizar a limpeza com pano úmido e produtos adequados para eliminar os fungos”, orienta Elierson.

Segundo Thiago Marques, em alguns casos o problema pode exigir avaliação técnica especializada. “Quando o mofo retorna constantemente mesmo após a limpeza e a ventilação adequada, pode haver infiltrações, falhas de impermeabilização ou outros problemas estruturais. Nesses casos, apenas limpar a superfície não resolve, porque a origem da umidade continua ativa dentro da edificação”, alerta.

Casa saudável, respiração saudável

Para os especialistas, o controle da umidade deve fazer parte dos cuidados com a saúde e o bem-estar das famílias, principalmente em regiões de clima quente e úmido. “Muitas vezes, os pais se preocupam apenas com os medicamentos, mas esquecem que o ambiente onde a criança vive tem um papel fundamental no controle das alergias. Uma casa arejada e livre de mofo contribui diretamente para uma infância mais saudável e com menos problemas respiratórios”, conclui Elierson Rocha.

FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de Comunicação
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