Brasília – A aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) , para ajudar a salvar o pacote fiscal que recalibra o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode encontrar obstáculos mais difíceis do que o esperado. Apesar de sua posição estratégica, Alcolumbre tem evitado assumir protagonismo na defesa da proposta, especialmente diante das tensões entre os Poderes.
Segundo parlamentares governistas e integrantes do chamado Centrão, Davi Alcolumbre não tem demonstrado disposição para bancar sozinho a agenda do Executivo , o que coloca em dúvida o sucesso do pacote no Senado. Além disso, ele teria resistido a confrontar diretamente o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) , com quem mantém relações cordiais.
Líderes próximos ao senador pelo Amapá afirmam que Alcolumbre tem buscado preservar seu papel como mediador entre os poderes , sem se desgastar defendendo medidas impopulares, como o aumento do IOF. O objetivo é garantir tranquilidade legislativa nos temas prioritários do governo, como a reforma administrativa e outras pautas estruturais.
A pressão do Planalto aumentou após os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) buscarem um acordo direto com Hugo Motta e líderes da Câmara na segunda-feira (16/6), na tentativa de evitar a derrubada do decreto por meio de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) .
Mesmo no Senado, porém, o ambiente não é favorável. Um senador do PSD, que preferiu não se identificar, admitiu à reportagem:
“O clima hoje está muito complicado e dificilmente Davi conseguirá segurar sozinho. Há muita má vontade no Senado Federal também.”
A expectativa é de que as articulações continuem intensas nas próximas semanas, tanto no Congresso quanto dentro da base aliada, já que o governo precisa urgentemente de ajustes fiscais para cumprir metas e viabilizar investimentos em 2025.
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