O Governo de Rondônia vai gastar R$ 41.629.619,37 para contratar serviços de traumatologia/ortopedia, urologia e cirurgia geral, via Chamamento Público nº 012/2023/CEL/SUPEL/RO, com o objetivo de reduzir a fila de 23.133 procedimentos represados no Sistema Único de Saúde (SUS) na Macrorregião I.
A empresa Hospital 9 de Julho de Rondônia Ltda foi credenciada para o atendimento, conforme homologado pela Secretaria de Estado da Saúde (SESAU) e respaldado pelo Parecer nº 817/2023 da Procuradoria Geral do Estado (PGE-SESAU). Contudo, a iniciativa é vista como uma solução paliativa, que apenas “empurra com a barriga” a crise estrutural da saúde pública estadual, sem abordar as raízes do problema

.
Um contrato insuficiente para uma crise crônica
Apesar do montante expressivo, especialistas e cidadãos questionam a eficácia do contrato, que não prevê a expansão da infraestrutura hospitalar, a contratação de mais profissionais ou a modernização do sistema de regulação. A fila do SUS, agravada pela pandemia, reflete problemas históricos como falta de leitos, equipamentos obsoletos e má gestão de recursos, que o governo de Marcos Rocha não conseguiu sanar desde o início de sua gestão em 2019

Histórico de promessas não cumpridas
-
Superlotação no Hospital João Paulo II: Principal unidade de urgência e emergência em Porto Velho, o hospital opera acima da capacidade, com pacientes atendidos em corredores devido à falta de leitos. Em 2020, Rocha prometeu a construção de um novo hospital de emergência, mas o projeto segue apenas no papel.
-
Fila de Cirurgias Eletivas: A espera por procedimentos de média e alta complexidade, como os de traumatologia e urologia, explodiu nos últimos anos. Relatórios do SISREG apontam que a demora pode ultrapassar dois anos, agravando a condição de pacientes.
-
Falta de Profissionais e Estrutura: Há carência de médicos especialistas, enfermeiros e técnicos, além de equipamentos quebrados ou insuficientes em unidades como o Hospital de Base Ary Pinheiro e os hospitais regionais.
-
Escândalos de Gestão: Em 2021, a SESAU foi alvo de investigações por irregularidades na compra de insumos durante a pandemia, o que abalou a confiança na administração estadual. A falta de transparência na aplicação de recursos federais destinados à saúde também é uma crítica recorrente.
Um debate necessário ignorado
A gestão de Marcos Rocha tem optado por medidas emergenciais, como mutirões de cirurgias e credenciamentos, que não atacam a causa do problema: a ausência de planejamento estratégico e de investimentos estruturais. A população rondoniense continua à mercê de um sistema de saúde fragilizado, enquanto o governo celebra contratos milionários como se fossem a solução definitiva.
Comentários: