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Após a eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo, a seleção brasileira indicou que começaria seu ciclo rumo a 2030 de maneira diferente: uma convocação repleta de estreantes, com menor média de idade e mais jogadores do Brasileirão. Entretanto, contra a Austrália, Carlo Ancelotti decidiu repetir seu 4-2-4 que até agora pouco entregou.
Esqueçamos o empate por 1 a 1 por um momento, foquemos no futebol apresentado pela Amarelinha em Townsville. A Seleção não conseguiu controlar o jogo contra os Socceroos; não trocou passes de qualidade por baixo para avançar; não exerceu uma pressão efetiva na saída de bola adversária; não extraiu o melhor das peças que tem à disposição. E por quê? Porque continua esvaziando seu meio-campo.
Ancelotti tinha razão quando disse, depois do Mundial, que o Brasil carecia de opções para o setor durante o torneio realizado na América do Norte. Para os amistosos da Super Data Fifa, parecia lógico que nomes como Breno Bidon, Gabriel Bontempo, Andrey Santos, Matheus Martinelli ou Douglas Luiz (nenhum convocado para a Copa) pudesse ser testado ao lado de Bruno Guimarães e Danilo Santos.
Trivela: Futebol europeu por quem entende
Mas não. O treinador, por algum motivo, acha que o melhor para seleção brasileira é ter o quarteto Estêvão pela direita, Vinícius Junior pela esquerda, Raphinha e Endrick pelo meio, sem que ninguém consiga fazer as combinações vindo de trás. O volante do Botafogo precisou fazer a saída ao lado dos zagueiros, e o volante do Arsenal ficou isolado no buraco intermediário.
O ciclo rumo a 2030 começou, mas o italiano parece não ter aprendido nada com a forma que a Amarelinha foi anulada contra os Vikings.
As consequências do 4-2-4 da seleção brasileira de Ancelotti contra a Austrália
O problema não é usar o 4-2-4, mas sim a forma de se jogar. Estêvão pode fazer a função de camisa 10, como já fez na base do Palmeiras. Raphinha, que está brilhando no Barcelona como falso 9, também já atuou como armador, com liberdade para se movimentar no último terço. Só que nenhum deles foi deslocado para apoiar os volantes nesse primeiro teste do Carlo Ancelotti.
Como consequência, o Brasil encheu a primeira linha da seleção australiana com o quarteto, além do apoio dos laterais Matheuzinho e Douglas Santos espetados, na tentativa de alargar as linhas adversárias. Entretanto, como Danilo participou da saída de três ao lado de Vitor Reis e Marquinhos, Bruno Guimarães ficou sozinho no meio-campo.
Logo, sair tocando desde Hugo Souza era uma missão impossível, já que os Socceroos marcavam alto. Qual era a saída criativa da seleção brasileira? Lançamento, torcendo para que algum jogador na frente conseguisse correr em velocidade nas costas do marcador para ficar cara a cara com o goleiro. Não funcionou.
A Amarelinha tentou pressionar a saída da Austrália, mas os encaixes individuais de Endrick e Vinícius Junior, que têm dificuldade nos trabalhos defensivos, não eram suficientes. Essa foi a receita perfeita para os donos da casa bombardearem a defesa do treinador italiano, principalmente nos escanteios.
Dito tudo isso, era esperado que o 2º tempo trouxesse mudanças. Na teoria, sim, mas Ancelotti não pensou desse jeito. Nenhuma substituição no intervalo, tampouco uma abordagem alternativa do que foi feito na etapa inicial. Quando os australianos se compactaram em bloco baixo, fechando os espaços, foi a pá de cal para um amontoado sem criatividade.
O golaço de falta de Nestory Irankunda foi a cereja no bolo. Douglas Luiz, Samuel Lino, Pedro, Jair Cunha, Mauro Júnior e Rayan foram acionados, porém, com a estratégia comprovadamente falha, era impossível reverter a péssima primeira impressão com caras novas fazendo a mesma coisa. O gol chorado do atacante do Bournemouth, de cabeça, em jogada de bola parada no último lance, não vai apagar isso.
É só um amistoso, faltam quatro anos para a próxima Copa do Mundo, o gramado era ruim, é início de temporada europeia, o fuso horário atrapalha, não dá para cobrar entrosamento logo de cara. Desculpas não faltam. Contudo, se o Brasil continuar insistindo nos mesmos erros, não há defesa, nem motivos para se animar com o futuro. Apenas desgosto, preocupação e irritação.