O TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) determinou nesta terça-feira (3) que o homem acusado de matar a própria mãe, a professora Soraya Tatiana Bomfim Franca, de 56 anos, vá a júri popular responder pelos crimes de homicídio qualificado (feminicídio, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima), ocultação de cadáver e fraude processual.
A juíza do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Ana Carolina Rauen, acatou a denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais).
A versão confirma que o crime ocorreu no dia 18 de julho, por volta das 17h, quando Matteos França Campos asfixiou a mãe por meio do golpe conhecido como “mata leão” após a mulher se recusar a quitar as dívidas dele. Depois, Soraya foi jogada seminua de um viaduto da cidade.
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Os crimes de ocultação e fraude teriam ocorrido, segundo a denúncia, após o sujeito despachar o corpo em uma área de difícil acesso na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, ele teria registrado um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento da mãe como forma de desviar as suspeitas do assassinato.
Segundo os autos, ele também manipulou imagens de câmeras de segurança e, passando-se pela mãe, enviou mensagens a amigas dela para dar a impressão de que ainda estaria viva horas após o crime.
Na decisão, a magistrada afirma que o crime deve ser analisado por júri popular, embora, segundo ela, haja indícios suficientes sobre o depoimento de 13 testemunhas e do próprio acusado.
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O que diz a defesa
A defesa de Matteos alegou “insanidade mental” e solicitou a revogação da prisão preventiva ou substituição da pena por medidas cautelares. O acusado está preso desde julho de 2025.
Além disso, a defesa alega falso testemunho por parte de um policial civil e pede a absolvição dos crimes de ocultação de cadáver e de fraude processual.
Relembre o caso
Segundo as investigações e relatos do próprio acusado que confessou o crime, Soraya e Matteo tiveram um briga por questões financeiras. Matteo estaria com um acúmulo de dívidas provenientes de jogos de apostas e empréstimos consignados na conta da própria mãe.
Após questionar Soraya, o acusado teria asfixiado a mãe. Já sem vida, o corpo da professora foi levado no porta-malas do carro da vítima e desovado em um viaduto de uma cidade próxima à capital.
Horas após o crime, Matteo viajou com amigos. A delegada Ana Paula Rodrigues de Oliveira, do Núcleo de Feminicídio da Polícia Civil, afirmou em coletiva dada no dia 25 que o acusado não quis faltar ao compromisso que estava marcado há cerca de um mês. Quando voltou, Matteo teria registrado um b.o relatando o desaparecimento da mãe.
O corpo de Soraya foi encontrado dois dias após o crime. Segundo a Polícia Militar, a mulher estava seminua coberta por um lençol. Além disso, constaram marcas parecidas com queimaduras nas coxas e sangramento da região íntima. Não havia nenhum documento de identificação próximo ao corpo que foi levado para o Instituto Médico-legal Dr. André Roquette (IMLAR) e reconhecido pelo autor da ação.
O homem confessou o crime e foi preso temporariamente no dia 25. Ele alegou “surto” devido às dívidas acumuladas.
Segundo apuração da Itatiaia, no presídio, Matteo teria sofrido ameaças de morte por parte de outros detentos e foi transferido para outra cidade.
A juíza decidiu manter a prisão preventiva do acusado, convertida em 27 de julho, em razão da “gravidade da conduta e a necessidade de garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal”.
Não há informações sobre quando o caso será julgado pelo júri.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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