Megaoperação no Rio deixa 117 mortos e quatro policiais mortos
Ação nos complexos do Alemão e da Penha é a mais letal da história do estado; criminosos usaram armas de guerra e drones-bomba
Terça-feira, 28 de outubro, 5h30 da manhã. Investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e militares da Polícia Militar (PMRJ) iniciaram uma megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. Paramentados com fardas e fuzis, os agentes tinham como missão cumprir 100 mandados de prisão, sendo 70 deles expedidos após investigação minuciosa contra o Comando Vermelho (CV) — uma das maiores facções criminosas do país.
Ao avançarem pelos becos e vielas das comunidades, as forças de segurança foram recebidas a tiros. A partir desse momento, o morro se transformou em um cenário de guerra.
Tiroteio e resistência
Imagens obtidas pela reportagem mostram o confronto sob a perspectiva dos policiais. No vídeo, mais de 15 agentes se abrigam atrás de muros e carros enquanto disparos ecoam por toda a comunidade.
A operação, planejada havia semanas, encontrou forte resistência. Os criminosos haviam montado um verdadeiro quartel-general do tráfico, com armamento de alta precisão e até drones equipados com explosivos.
As câmeras corporais das equipes registraram momentos de intenso tiroteio nas ruas estreitas e nas áreas de mata da Serra da Misericórdia, para onde parte dos suspeitos fugiu. O confronto terminou com diversos corpos espalhados pela região, recolhidos por moradores no dia seguinte.
Balanço: 117 mortos e 113 presos
Segundo balanço divulgado após 48 horas de operação, o confronto deixou 117 suspeitos mortos e quatro policiais mortos. Outros dez agentes ficaram feridos.
Em coletiva realizada na sexta-feira (31), as autoridades classificaram a ação como a mais sangrenta da história do Rio de Janeiro.
“Esse foi um trabalho muito expressivo das nossas equipes, que conseguiram, em curto espaço de tempo, periciar todos os corpos, identificar 99 narcoterroristas e levantar os históricos criminais. A investigação prossegue para mostrar quem são esses bandidos”, afirmou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Identificação dos mortos
Dos 117 mortos, 79 já foram oficialmente identificados. Segundo a Polícia Civil, o grupo era composto majoritariamente por membros do Comando Vermelho, incluindo traficantes de outros estados, que haviam se deslocado ao Rio para apoiar as ações da facção.
A distribuição dos criminosos de fora do estado é a seguinte:
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13 do Pará
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7 do Amazonas
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6 da Bahia
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4 do Ceará
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4 de Goiás
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3 do Espírito Santo
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1 da Paraíba
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1 do Mato Grosso
Além das mortes, 113 suspeitos foram presos, todos submetidos a audiência de custódia, com prisão preventiva decretada pela Justiça.
Contexto
A operação faz parte de uma estratégia coordenada da Secretaria de Segurança Pública do Rio para enfraquecer o Comando Vermelho e restringir a movimentação de lideranças nacionais da facção. Segundo as autoridades, o confronto escancarou o poder de fogo e a estrutura militar das organizações criminosas no estado, reacendendo o debate sobre o uso da força e o impacto das operações nas comunidades.
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