São Paulo / Menlo Park (EUA) – Em uma decisão que surpreendeu o mercado global de tecnologia, a Meta Platforms Inc. anunciou nesta sexta-feira (10/1) a nomeação de Kellyanne Conway como sua nova presidente corporativa. A ex-conselheira sênior e estrategista-chefe de campanha de Donald Trump — e figura central do governo republicano entre 2017 e 2020 — assume um dos cargos mais influentes do ecossistema digital mundial, numa jogada que reforça a guinada conservadora da gigante das redes sociais nos últimos anos.
A nomeação foi confirmada pelo próprio CEO da Meta, Mark Zuckerberg, em comunicado interno divulgado aos funcionários. “Kellyanne traz uma visão estratégica única, experiência em comunicação de massa e um profundo entendimento das dinâmicas políticas globais — tudo essencial para navegar os desafios regulatórios e culturais que enfrentamos”, afirmou.
Quem é Kellyanne Conway?
Conhecida por cunhar a expressão “fatos alternativos” durante entrevistas na Casa Branca, Conway foi uma das arquitetas da vitória de Trump em 2016. Advogada e pesquisadora de opinião pública, ela liderou a empresa de consultoria The Polling Company/WomanTrend antes de ingressar na política. Após deixar o governo em 2020, manteve presença ativa na mídia conservadora, defendendo pautas como liberdade de expressão online, desregulamentação de plataformas e crítica à “censura progressista”.
Nos últimos dois anos, Conway vinha atuando como conselheira informal de empresas de tecnologia alinhadas ao movimento “free speech tech”, incluindo X (ex-Twitter) e Rumble.
Reações divididas
A nomeação gerou reações imediatas e polarizadas. Grupos de direitos digitais e entidades progressistas expressaram preocupação.
“Colocar uma defensora do discurso de ódio e da desinformação no comando da maior rede social do mundo é um retrocesso para a democracia”, criticou a diretora da Electronic Frontier Foundation, Cindy Cohn.
Já apoiadores do movimento conservador celebraram a escolha.
“Finalmente, alguém que entende que as redes não devem ser usadas como ferramenta de engenharia social”, disse o comentarista político Ben Shapiro.
Internamente, relatos anônimos de funcionários da Meta indicam tensão crescente entre equipes de moderação de conteúdo e a nova direção da empresa, que tem relaxado políticas contra desinformação e discurso de ódio desde 2024.
Contexto: a virada conservadora da Meta
A nomeação de Conway coroa uma série de mudanças na postura da Meta. Desde 2023, a empresa:
- Restaurou contas banidas, incluindo a do ex-presidente Donald Trump;
- Reduziu equipes de combate à desinformação;
- Passou a promover algoritmos que priorizam “engajamento autêntico”, mesmo que associado a conteúdos controversos;
- Adotou parcerias com think tanks de direita nos EUA e Europa.
Analistas veem a estratégia como uma tentativa de recuperar usuários perdidos para plataformas rivais e atrair o eleitorado conservador, especialmente em ano de eleições presidenciais nos EUA (novembro de 2026).
Próximos passos
Conway assumirá oficialmente o cargo em 1º de fevereiro de 2026. Suas responsabilidades incluirão:
- Relações governamentais globais;
- Estratégia de comunicação institucional;
- Supervisão de políticas públicas da empresa;
- Representação da Meta em fóruns internacionais, como o Fórum Econômico Mundial.
Ela não terá poder direto sobre decisões técnicas ou de produto, mas terá assento no comitê executivo sênior da companhia, ao lado de Zuckerberg e do COO Javier Olivan.
Contexto adicional:
A Meta, avaliada em mais de US$ 1,2 trilhão, opera as plataformas Facebook (3 bilhões de usuários), Instagram (2 bilhões) e WhatsApp (2,8 bilhões). A empresa enfrenta pressão regulatória crescente na União Europeia, Índia e Brasil, especialmente sobre privacidade, monopólio e moderação de conteúdo.
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