Uma das empresas beneficiadas por emendas Pix enviadas para Carapicuíba, na Grande São Paulo — cidade que teve repasses suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — tinha como controladora uma offshore nas Bahamas, conhecido paraíso fiscal, e foi condenada por uso de atestado falso de capacidade técnica.
Carapicuíba lidera o ranking nacional de emendas Pix, com mais de R$ 157 milhões em repasses, impulsionados por parlamentares da bancada evangélica. Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que embasou a decisão de suspensão pelo ministro Flávio Dino, do STF, constatou que R$ 13,4 milhões dos gastos não foram comprovados e que algumas obras apresentaram má execução.
A auditoria analisou cinco emendas enviadas ao município, totalizando R$ 55 milhões, das quais apenas duas tiveram execução financeira; os demais recursos permanecem em contas correntes da Caixa Econômica Federal. Entre os pagamentos comprovados estão repasses para a Winter Garden, empresa com contratos milionários em Carapicuíba.
Neste ano, a Winter Garden foi condenada em processo judicial por apresentar atestado de capacidade técnica com informações falsas para vencer uma licitação em Indaiatuba. A ação foi proposta pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos 18 de Fevereiro, que apontou que o atestado certificava serviços complexos com base em contrato de reparos gerais, incompatível com os serviços licitados.
Em nota, a Prefeitura de Carapicuíba afirmou que a Winter Garden está constituída legalmente no Brasil, com CNPJ válido, e não apresentou atestado irregular ao município. Segundo a administração, não há declaração de inidoneidade contra a empresa, nem impedimentos para que participe de licitações ou firme contratos públicos.
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