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Justiça

Decisão de Flávio Dino detalha suspeitas de desvio de emendas na Operação Make Up

Investigação apura aplicação de recursos destinados a entidades ligadas à produtora Karina Gama e aponta indícios de empresas de fachada e movimentações financeiras incompatíveis

Capital Rondônia
Por Capital Rondônia
Decisão de Flávio Dino detalha suspeitas de desvio de emendas na Operação Make Up
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A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a Operação Make Up, detalha suspeitas de irregularidades na aplicação de emendas parlamentares e determinou medidas de busca e apreensão contra 31 pessoas e 18 empresas. Entre os principais alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama.

A investigação teve início a partir da análise de emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Segundo a decisão, a entidade recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas indicadas por Mário Frias. Outra organização ligada à produtora, a Academia Nacional de Cultura (ANC), também aparece na apuração envolvendo recursos parlamentares.

Durante a análise da aplicação do dinheiro, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidades em contratos firmados com diferentes empresas. Entre os pontos levantados estão possíveis vínculos entre fornecedores, empresas sem funcionamento nos endereços cadastrados e documentos que teriam sido produzidos de forma semelhante. Em um dos casos, orçamentos apresentados como concorrentes teriam sido criados pela mesma pessoa em um intervalo de apenas 12 minutos.

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Relatórios de inteligência financeira também apontaram movimentações consideradas incompatíveis com o perfil de alguns envolvidos. Uma empresa que recebeu mais de R$ 1 milhão tinha como única sócia uma mulher com registro profissional como cuidadora de idosos. Outra empresa, que recebeu mais de R$ 600 mil, estava registrada em nome de um homem cuja última ocupação informada era de servente de obras.

A decisão cita ainda um contrato do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de internet wi-fi gratuito. O contrato foi inicialmente estimado em R$ 108 milhões e também entrou no radar da investigação, que questiona a capacidade técnica da entidade para executar o serviço.

Flávio Dino autorizou as buscas e apreensões, suspendeu as atividades econômicas e financeiras do ICB e da ANC e determinou o recolhimento dos passaportes dos investigados. Não foram expedidos mandados de prisão nesta fase. Entre os crimes investigados estão peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em contratos e organização criminosa. O processo ainda está em fase de investigação, não há condenação, e os envolvidos têm direito de apresentar suas defesas.

FONTE/CRÉDITOS: Assessoria

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