A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Leite da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) realizou, nesta segunda-feira (4), mais uma etapa de oitivas, desta vez no município de Jaru, reunindo produtores da região, considerada uma das principais bacias leiteiras do estado. O objetivo é apurar possíveis problemas na cadeia produtiva do leite e buscar soluções que promovam maior equilíbrio entre produtores e indústrias.
A agenda dá continuidade aos trabalhos de investigação da comissão, que já passou pela cidade de Machadinho D’Oeste e Alvorada do Oeste.
“Nosso trabalho é buscar propostas que atendam, de fato, às necessidades do produtor de leite. Desde o início, estamos abertos a ouvir os produtores e, posteriormente, também as indústrias e demais envolvidos no setor serão ouvidos também”, afirmou a deputada Cláudia de Jesus (PT), presidente da CPI.
A parlamentar também destacou a importância de levar os trabalhos ao interior, aproximando o Legislativo da realidade vivida pelos produtores e ampliando a coleta de informações diretamente na origem da produção. Os deputados Eyder Brasil (PSD) e Dra. Taíssa (PL) participaram de forma on-line.
No auditório do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Jaru, onde a reunião foi realizada, estiveram presentes representantes da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO), da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Rondônia (Fetagro), de entidades sindicais de Jaru e de outros municípios da região, além de lideranças políticas locais.
Ao longo das oitivas, produtores relataram dificuldades recorrentes, como a imprevisibilidade no valor pago pelo litro do leite, a ausência de contratos formais e o aumento dos custos de produção. Também foram mencionadas preocupações com a falta de transparência na definição dos preços e os impactos dessas condições na sustentabilidade da atividade leiteira.
Em um dos depoimentos, foi relatada a redução significativa da produção ao longo do tempo, atribuída ao alto custo dos insumos e à baixa rentabilidade da atividade, o que tem levado produtores a reconsiderar sua permanência no setor. Também foram apontadas divergências entre os valores de referência divulgados e os efetivamente pagos, além da demora no pagamento pelo leite entregue, que pode chegar a cerca de 60 dias.
Outros relatos indicaram que produtores que conseguem comercializar a produção por vias alternativas obtêm maior margem de lucro, embora enfrentem limitações de mercado. Ainda assim, destacaram a instabilidade dos preços e a dificuldade de expansão da atividade nesse modelo.
De forma geral, os depoimentos convergem para um cenário de custos elevados, preços considerados defasados e ausência de critérios claros na formação do valor pago ao produtor, o que compromete a sustentabilidade da atividade leiteira no estado.
A CPI é uma comissão temporária criada para investigar fatos determinados de relevante interesse público. A próxima reunião da CPI do Leite será realizada no dia 11 de maio, no município de Ji-Paraná.
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