A Comissão de Infraestrutura do Senado realizou, no último dia 19, uma diligência externa em Ji-Paraná (RO) para discutir os impactos da concessão da BR-364, no trecho que liga Porto Velho a Vilhena. A sessão foi transmitida ao vivo pela TV Senado e contou com a participação de parlamentares, lideranças regionais e representantes do setor produtivo.
A iniciativa partiu do senador Marcos Rogério (PL-RO), que tem manifestado preocupação com os termos da concessão. A BR-364, considerada um dos principais corredores logísticos de Rondônia, foi leiloada em fevereiro na Bolsa de Valores de São Paulo. A empresa vencedora será responsável pela administração de cerca de 700 km da rodovia por um período de 30 anos, com a implantação de sete praças de pedágio e a duplicação de 92 km do trecho.
De acordo com estudos apresentados por Marcos Rogério, o custo para veículos de passeio que percorrerem toda a extensão concedida poderá variar entre R$ 130 e R$ 165. Para os veículos de carga, a tarifa será cobrada por eixo, o que pode elevar o valor de uma viagem de ida e volta, no caso de carretas com oito eixos, a cerca de R$ 2 mil. O senador classificou os valores como “alarmantes” e alertou para o impacto que isso pode gerar sobre a economia local.
“O encarecimento do frete, por conta dos pedágios e da precariedade da via, pode reduzir a competitividade dos nossos produtos; há risco de retração econômica, perda de investimentos e desestímulo à produção regional”, afirmou.
Durante a audiência, a representante da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antonielly Rottoli, destacou a importância estratégica da BR-364 para o escoamento da produção agropecuária do estado. Segundo ela, a rodovia é um elo fundamental entre os polos produtivos de soja, milho, café, leite, piscicultura e pecuária e os portos do Rio Madeira.
A audiência reforçou a necessidade de um equilíbrio entre os investimentos em infraestrutura e os custos que poderão recair sobre a cadeia produtiva. A BR-364 é considerada essencial para o desenvolvimento regional, sendo responsável por interligar centros de produção a rotas de exportação, o que torna ainda mais relevante o debate sobre os impactos da concessão.
Texto: Rute Haverroth -DRT 0000394 /RO
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