Pouco antes do início dos interrogatórios no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9/6), no âmbito da ação penal que apura uma possível tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022, o clima na Primeira Turma era de tensão, mas também de formalidades e gestos protocolares entre os réus.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid — delator no processo — cumprimentou o ex-presidente no plenário. Bolsonaro, um dos primeiros a chegar, dirigiu-se ao banheiro próximo ao local da sessão e permaneceu lá por cerca de 10 minutos. Ao retornar, Cid, já sentado ao lado de seu advogado, Cézar Bittencourt, levantou-se para apertar a mão de Bolsonaro.
Visivelmente nervoso, Cid permaneceu por aproximadamente meia hora aguardando o início do interrogatório. Durante esse tempo, prestou continência aos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira — também réus e ex-ministros do governo Bolsonaro.
O depoimento de Cid teve início por volta das 14h15 e foi marcado por sinais de tensão: gagueira e mãos trêmulas. Mesmo assim, diante do ministro Alexandre de Moraes e do próprio Bolsonaro — posicionado logo atrás da cadeira dos réus —, ele confirmou integralmente os termos de sua delação premiada.
Apesar das preocupações de advogados sobre o risco de prisão por possíveis contatos entre réus, o ministro Moraes esclareceu no início da sessão que os cumprimentos entre eles não configurariam crime.
O interrogatório faz parte do processo conduzido pelo STF para investigar a suposta articulação golpista envolvendo aliados do ex-presidente
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