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Quinta-feira, 21 de Maio de 2026

Justiça

Bilhetes apreendidos em presídio levaram à prisão de Deolane

Documentos encontrados em 2019 revelaram esquema de lavagem de dinheiro do PCC envolvendo influenciadora, transportadora de fachada e lideranças da facção.

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Por Capital Rondônia
Bilhetes apreendidos em presídio levaram à prisão de Deolane
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A prisão da influenciadora Deolane Bezerra e o desmantelamento da estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Operação Vérnix são resultado de uma investigação que se estende por sete anos. O fio condutor da apuração iniciou-se em 2019, quando agentes penitenciários apreenderam bilhetes e manuscritos escondidos em celas e na rede de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas da facção, contatos de alto escalão e planos de ataques contra servidores públicos.

Uma menção específica nos bilhetes a uma “mulher da transportadora” foi o ponto de partida para que o Ministério Público e a Polícia Civil identificassem uma empresa de cargas utilizada como fachada para ocultar recursos do crime organizado. A evolução das diligências permitiu chegar a Ciro Cesar Lemos, operador central do esquema, cujo celular apreendido em 2021 durante a Operação Lado a Lado tornou-se a peça-chave para desvendar as conexões financeiras com Deolane Bezerra.

Fluxo financeiro e técnica de ocultação

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A investigação aponta que a influenciadora, que ostenta mais de 21 milhões de seguidores, utilizava suas contas bancárias e de suas empresas para movimentar valores milionários oriundos da facção. A estrutura de lavagem incluía:

Smurfing: Depósitos fracionados abaixo de 10 mil reais, totalizando mais de 1 milhão de reais entre 2018 e 2021, visando driblar mecanismos de controle bancário.

Empresas de fachada: Repasses de mais de 700 mil reais vindos de uma suposta instituição de crédito gerida por uma pessoa com renda incompatível, sem a comprovação de serviços advocatícios ou mercantis prestados.

Operadores financeiros: A intermediação de figuras como Everton de Souza, o “Player”, que orientava os fluxos de caixa para integrantes da cúpula do PCC, incluindo Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho.

Bloqueios e desdobramentos

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de 27 milhões de reais em bens e valores atribuídos a Deolane. A operação, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão, resultou no bloqueio total de 357,5 milhões de reais e na apreensão de 39 veículos de luxo. A decisão judicial destacou que a notoriedade da influenciadora e sua atividade empresarial serviam como “camadas de aparente legalidade” para facilitar a lavagem de dinheiro.

Enquanto Marcola e Alejandro Camacho foram notificados de novas ordens de prisão dentro do sistema penitenciário, a polícia realizou diligências internacionais, resultando na prisão de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, na Espanha. A defesa de Deolane Bezerra informou que está se inteirando dos fatos, assim como a defesa dos demais investigados. O caso segue sob apuração para identificar outros possíveis beneficiários do esquema que visava desestabilizar as finanças do crime organizado.

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