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Anthony Gordon encontrou no Barcelona algo que, segundo ele, demorou anos para aparecer: um companheiro capaz de enxergar seus desmarques antes mesmo de eles acontecerem. Em entrevista à revista oficial do clube catalão, o atacante inglês destacou a conexão com Pedri e explicou como o meio-campista consegue potencializar uma das principais características de seu futebol.
“Fiz muitos desmarques ao longo da minha carreira que ninguém via, mas agora o Pedri vê”, afirmou.
Gordon não é o ponta para receber a bola parado e construir jogadas somente no um contra um. Sua principal arma é a aceleração depois do primeiro movimento: ele parte de uma posição aberta, identifica o espaço nas costas do lateral ou do zagueiro e dispara para receber em vantagem. E, agora, tem com quem combinar.
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Gordon encontra em Pedri um passador para suas corridas
Pedri não é simplesmente um meio-campista que procura o passe vertical a qualquer custo. Seu jogo é baseado em receber sob pressão, atrair adversários, controlar o ritmo e encontrar o momento certo para acelerar a posse. É aí que a movimentação de Gordon ganha valor.
Quando um atacante começa sua corrida, existe uma janela muito pequena para o passe. Se o meia demora, o adversário recupera a posição. Se toca cedo demais, a bola pode chegar quando o atacante ainda está marcado. O que Gordon sugere é que Pedri tem a capacidade de interpretar exatamente esse instante.
Para um jogador acostumado a fazer movimentos que muitas vezes não eram recompensados, a diferença é enorme. Isso também ajuda a explicar por que o Barcelona enxergou Gordon como uma contratação interessante mesmo sendo um jogador bastante diferente de pontas tradicionalmente associados ao clube.
“O que o Barça representa para mim é fazer com que o adversário toque o mínimo possível na bola. Agora também temos agressividade. Eu me adaptei bem porque é um jogo muito parecido com o do Newcastle. A principal diferença em relação à Premier League é a intensidade; aqui tudo é mais pausado e baseado no controle e na posse de bola“, disse.
A contratação por um valor inicial de 70 milhões de euros, portanto, não foi apenas uma aposta em velocidade. O Barcelona buscou um jogador capaz de acrescentar uma dimensão vertical a um ataque que já contava com jogadores como Lamine Yamal e Raphinha.
A adaptação de Gordon ao Barcelona
O inglês afirmou que encontrou um ambiente acolhedor desde sua chegada e destacou a ajuda de Dani Olmo e Eric García, dois companheiros que falam inglês e facilitaram seus primeiros meses na Catalunha. O atacante, que surpreendeu na apresentação ao responder algumas perguntas em espanhol, também admitiu que ainda enfrenta dificuldades quando os companheiros conversam rapidamente no idioma.
A recepção da torcida, por outro lado, o surpreendeu positivamente. “Não imaginava me sentir tão querido desde o primeiro momento”, afirmou, comparando a experiência com sua chegada ao Newcastle. Segundo ele, os torcedores do clube inglês inicialmente o enxergavam principalmente como um jogador veloz, mas passaram a reconhecer outras características de seu futebol com o tempo.
O inglês também revelou sua admiração pelo Barcelona de Pep Guardiola e escolheu Luis Suárez como seu jogador favorito da história do clube, deixando Lionel Messi de lado. E apesar da mudança de cenário, ele garante não sentir uma pressão especial por vestir a camisa azul e grená. Para Gordon, a cobrança maior está na própria cabeça.
“Não acredito muito em pressão, é algo que você cria na sua mente. Quando era criança, você não sentia pressão, então não deveria sentir agora”, afirmou.