Ainda em construção no Planalto, a agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 apresenta algumas oportunidades para explorar temas que renderam ao petista aumento na popularidade. Há expectativa de novas rodadas de negociação sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos de Donald Trump e um possível convite para a reunião do G7 na França, prevista para junho.
Segundo interlocutores do governo, as negociações sobre o tarifaço são positivas do ponto de vista de popularidade. A ideia é usar isso eleitoralmente no ano que vem. Nessa ótica, elas ajudam a mostrar disposição de Lula para conversar com adversários da direita e colocar os interesses econômicos do país como prioridade, como também fragilizam o discurso dos aliados de Jair Bolsonaro (PL) de um apelo internacional em prol do ex-presidente.
A expectativa é que o tarifaço siga em discussão para resolução durante o primeiro semestre de 2026. Em paralelo, também será abordada a aplicação da Lei Magnitsky, que o governo quer superar logo. O objetivo é fortalecer o discurso de defesa da soberania nacional, mas também impedir eventuais ofensivas norte-americanas contra mais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições.
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4 de 4Trump Lula se reuniram para debater redução de tarifas
Ricardo Stuckert / PRA reunião do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, acontece em junho, na França. Mas, dada a proximidade entre Lula e o presidente francês, Emmanuel Macron, há expectativa de um convite para o Brasil. Dependerá, analisam auxiliares, da situação do Brasil diante da União Europeia e os Estados Unidos até então.
Ainda há a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para acontecer em setembro, nos Estados Unidos. A ida do presidente num momento próximo à eleição não é certa, mas aliados indicam que o petista pode participar justamente como uma maneira de fazer um discurso forte, que reverbere internamente no Brasil, como fez na reunião deste ano.
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Em setembro último, em Nova Iorque, Lula discursou sobre a defesa da soberania nacional, preservação ambiental e combate à fome e pobreza. A surpresa foi quando Trump, que o sucedeu na ordem de fala, o elogiou e escancarou sua expectativa sobre um novo encontro com o petista, algo que ocorreu pouco depois na Malásia.
Além disso, a agenda de Lula para 2026 tem uma visita de estado à Índia em fevereiro. Trata-se de mais um passo na aproximação com a nação com a maior população do mundo, tratada como uma “nova China” em quesito de potencial econômico. Espera-se que o encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi abra o mercado indiano para mais produtos brasileiros e também haja acordo para cooperação na área de digitalização dos serviços públicos, uma expertise do país asiático.
Em abril, há previsão de uma visita de Lula a Hannover, na Alemanha. O petista foi convidado pelo chanceler Friedrich Merz para a Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo. O petista afirmou, durante a cúpula do G20 na África, que compareceria ao evento para tentar abrir novos mercados na Europa para o biocombustível brasileiro.
A prévia da agendaEm resumo, a prévia da agenda internacional de Lula para 2026 é:
- Fevereiro: Índia;
- Abril: Alemanha;
- Junho: França, a depender de convite;
- Meados de setembro: Assembleia Geral da ONU nos EUA;
- Novembro: reunião do G20, nos EUA;
- Novembro: COP31, na Turquia;
- Cúpula dos Brics na Índia, sem data definida
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