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A maior goleada da história moderna da Champions League, 9 a 1 do Como sobre o Lens, na última quarta-feira (4), veio com vários destaques. Anastasios Douvikas é um nome óbvio falado, autor de hat-trick e uma assistência. No entanto, na área subjetiva e do encantamento, ninguém jogou mais do que Nico Paz.
O argentino já se coloca até em conversa de melhor da temporada até aqui, junto de Raphinha, do Barcelona. Como camisa 10, o jovem de 22 anos ilustrou todo o repertório no placar mais elástico do torneio europeu.
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Por dentro ou por fora, Nico Paz brilha
Em 58 minutos, Paz conseguiu participar de quase metade dos nove tentos do dia. No segundo gol, recebeu aberto pela direita, levou para a canhota e cruzou para Álex Valle escorar antes de Douvikas marcar.
Quando Lucas da Cunha balançou as redes, mostrou sua capacidade criativa ao receber entre as linhas, dominar rumo ao gol (chamado de domínio orientado por analistas) e enfiar na medida, caminho parecido em outra assistência para o centroavante grego no terceiro tento.
Na vez do jogador da seleção argentina marcar, surgiu novamente na direita, já dentro da área, e fuzilou o goleiro. As capacidades de armar e finalizar marcam o estilo de Nico Paz em uma temporada mágica.
Contra o Manchester United, vitória por 4 a 1, maior jogo até o momento por 2026/27, há duas semanas, o camisa 10 do Como só não fez chover.
Foi seu maior nível na temporada: fez um golaço de canhota em chute colocado (os chutes de média distância são outra especialidade, como fez pela seleção argentina na Data Fifa passada), outro com uma longa condução e finalização na área e uma assistência em bola enfiada para Douvikas.
Além das participações, mostrou como é um mágico ao esconder a bola, ostentar dribles curtos e, por seus 1,85m — que também o garante alguns gols de cabeça –, ter um físico que permite sustentar os contatos. Nico Paz está entre os jogadores com mais dribles e duelos vencidos no chão, tanto na Serie A (18 e 51, respectivamente) quanto na Champions League (10 e 29). O mais surpreendente é que sua taxa de acerto de fintas é de 58% e 59%.
Há comparação do meia do Como com Raphinha?
Não existem dúvidas de que, após quase três meses da temporada, Raphinha é o melhor do mundo até aqui. São inacreditáveis 19 gols em apenas 13 partidas, além de três assistências. O brasileiro, agora como centroavante, tem sido matador, concluindo quase todas as chances que recebe.
Porém, o jovem do Como, a cada atuação, se aproxima dele. Mesmo que seus números sejam inferiores — seis gols e oito assistências em 13 jogos–, sua influência no jogo da equipe italiana treinada por Cesc Fàbregas é muito maior. A cada jogo pelo Campeonato Italiano e Champions, Paz acumula mais de 72 ações com bola; o brasileiro fica abaixo de 37.
Falta, porém, que o coletivo se coloque na briga por títulos para consolidar o nível individual de seu camisa 10. Os Azzurri ocupam a quarta colocação da Serie A, cinco pontos atrás da líder Lazio, mesma posição na Liga dos Campeões, mas três de pontuação atrás de PSG e Real Madrid, pois perderam seu 100% de aproveitamento para o Feyenoord.
Hoje é natural e justo que Nico Paz esteja nessa discussão de melhor do mundo, um pouco atrás de Raphinha e talvez junto de Harry Kane, do Bayern de Munique. É difícil imaginar, no entanto, que permaneça em pauta, porque o time de Como não tem elenco capaz de continuar competindo como tem feito por toda a temporada.
Para o jovem argentino, é uma prova que tem nível para estar nos maiores palcos do futebol europeu. Para a seleção da Argentina, uma esperança é que ele seja o novo camisa 10 depois da aposentadoria de Lionel Messi.