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A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves (à direita na foto), afirmou a interlocutores que há apenas três pessoas no governo capazes de fazê-la interromper imediatamente suas agendas: o presidente Lula (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, responsável por coordenar a atividade dos ministérios, e a primeira-dama Janja (à esquerda na foto), que não tem cargo no governo nem recebeu um único voto em 2022.
A declaração, revelada por O Estado de S.Paulo, foi analisada pela Comissão de Ética da Presidência da República (CEP).
“Na hora que estou com tudo organizado o presidente chama, a Janja chama, Rui chama. O Palácio chamou… O presidente chamou tem que deixar tudo, Rui chamou tem que deixar tudo. Os únicos que eu consigo enrolar são o Márcio e o Padilha, os outros eu não consigo. Isso se chama hierarquia, respeito à autoridade”, disse Cida no relato à sua equipe que foi gravado e encaminhado à CEP.
Segundo o jornal, a ministra deu a declaração ao tentar rebater queixas sobre a imprevisibilidade de sua agenda ministerial.
Denúncias arquivadas
A Comissão de Ética Pública decidiu arquivar na segunda-feira, 24, um conjunto de denúncias envolvendo a ministra Cida Gonçalves, acusada de assédio moral.
O resultado já era esperado pelo entorno da ministra.
Encaminhada ao órgão por funcionários do ministério, a gravação mencionando a prioridade a Janja fazia parte do conjunto de denúncias.
A Comissão de Ética de Lula
Durante os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, a CEP livrou 17 integrantes do primeiro escalão do atual governo de censura ética.
Em contrapartida, o colegiado impôs sanções a cinco ministros da gestão anterior, liderada por Jair Bolsonaro (PL).