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Quarta-feira, 02 de Setembro 2026
Justiça

É inevitável que André Mendonça peça ao pleno do STF para investigar Moraes

Mendonça pode solicitar investigação sobre Moraes, evidenciando a complexidade das relações no STF e suas implicações.

Jenyffer Diogenes
Por Jenyffer Diogenes
É inevitável que André Mendonça peça ao pleno do STF para investigar Moraes
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André Mendonça não precisa fazer conluio ou dar golpes baixos para colocar em maus lençóis os seus adversários — adversários, na verdade, da aplicação da lei. O ministro apenas usa os instrumentos legítimos que estão à sua disposição.

Veja-se agora a cajadada que ele deu, apanhando de uma só vez três coelhos. O maior deles é Alexandre de Moraes.

Como noticiou em primeira mão a jornalista Andreza Matais, colega de Metrópoles, “em ofício (à PGR), o ministro solicitou informações complementares sobre o conteúdo de mensagens enviadas por WhatsApp que cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet”.

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As mensagens em questão foram enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Nelas, o banqueiro do Master requer a proteção da parte de Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Houve várias mensagens trocadas entre ambos, e agora não há mais dúvida de que foram destinadas ao ministro — e que ele as respondeu em modo de visualização única para não deixar traços. Até a PF descobrir tudo, o ministro vinha negando que fosse o destinatário de Daniel Vorcaro. Ou seja, Alexandre de Moraes mentiu.

Os jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento publicaram hoje de manhã a íntegra de alguns textos que o banqueiro do Master mandou ao seu interlocutor poderoso.

É escandaloso o grau de proximidade entre o autor da maior fraude do sistema financeiro do país e um ministro do STF. Em 30 de outubro, o banqueiro do Master disse a Alexandre de Moraes que mudaria a data de uma viagem para Abu Dhabi “para conseguir te ver, se puder na terça-feira!”.

Na mesma mensagem, ele afirma que teve “informações informais e em confidência de turma do banco central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida, pois o bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim”. G é o presidente do BC, Gabriel Galípolo, com quem Alexandre de Moraes já havia conversado sobre a compra do Master pelo BRB.

É nesse momento que Daniel Vorcaro pede ajuda ao ministro: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.

Há ainda outras mensagens enviadas ao ministro às vésperas de o banqueiro do Master ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025. Nelas, Daniel Vorcaro mostra que já sabia da prisão e reitera o pedido de proteção.

Em uma dessas mensagens, datada de 16 de novembro, ele escreve: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

Um dia antes, ele havia perguntado a Alexandre de Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”. E ainda: “Acha que segunda já tenho de estar fora?”

Temos, então, um meliante consultando um ministro do STF para saber se deveria fugir para o exterior “na segunda”. Quarenta e oito horas depois da consulta ao ministro, ele tentou efetivamente escapar para fora do país. É inadmissível.

Lembre-se de que, desde o início do ano anterior, o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato milionário, no valor de R$ 130 milhões, com o Banco Master, negociado diretamente com Daniel Vorcaro.

A má notícia para Alexandre de Moraes é que não dá mais para ele dizer que nada tinha a ver com o acordo.

Os jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento revelaram, também hoje, que foi o ministro que editou a última versão do contrato (na verdade, de R$ 131 milhões):

“A versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane, de acordo com os metadados do arquivo, foi aberta e modificada no sistema Office 365 utilizado pelo ministro do STF. O perfil que alterou o documento, segundo os metadados do contrato, é intitulado ‘Ministro Alexandre de Moraes’.”

A desculpa (esfarrapada) do escritório de Viviane Barci de Moraes é que “o setor de compliance pediu ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master da banca da Viviane Moraes”. Francamente, é gozar com quem trabalha.

Diante de todos esses fatos, torna-se incontornável que o ministro André Mendonça leve ao plenário do STF o pedido de autorização para investigar Alexandre Moraes no âmbito do caso Master. Se o STF negar a autorização, é porque já não há mais juízes em Brasília e, portanto, Justiça no Brasil. É porque acabou, de fato, a República.

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