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Em jogo histórico para o Como, o time italiano goleou o Manchester United por 4 a 1, nesta quarta-feira (21), no Giuseppe Sinigaglia, pela terceira rodada da fase de liga da Champions League. Com dois gols e uma assistência, Nico Paz comandou uma atuação que expôs as virtudes da equipe comandada por Cesc Fàbregas e as fragilidades de um adversário incapaz de encontrar respostas durante a partida.
O placar ganha contornos ainda mais significativos quando se considera o peso histórico dos clubes envolvidos. Estreante na Champions, o Como superou um United tricampeão europeu, dono de uma das camisas mais tradicionais do futebol mundial.
A diferença de trajetória entre os dois é imensa, mas o encontro mostrou uma distância preocupante em outro aspecto: enquanto os italianos apresentam ideias claras e um projeto em evolução, os ingleses seguem presos a uma desorganização que ultrapassa as quatro linhas.
Em campo, o planejamento do Como falou mais alto do que a tradição dos Red Devils.
Como tem identidade, coragem e um projeto que vai além dos resultados
O Como não é uma sensação europeia por acaso. Sob o comando de Fàbregas, o clube construiu uma equipe com personalidade, capaz de aliar organização a um futebol envolvente. A proposta passa pela construção desde a defesa, pela circulação da bola e pela ocupação inteligente dos espaços. Não se trata apenas de trocar passes ou buscar uma saída curta a qualquer custo, mas de atrair a pressão adversária para encontrar caminhos e avançar com qualidade.
Essa identidade também se manifesta na coragem. O Como não abandona suas convicções diante de um adversário mais poderoso, seja pelo orçamento, pela tradição ou pela qualidade individual de seus jogadores.
Contra o Manchester United, a equipe italiana não precisou recorrer a uma postura excessivamente cautelosa para competir. Pelo contrário: procurou assumir o protagonismo, movimentou a defesa inglesa e encontrou espaços para explorar. A diferença esteve na capacidade de transformar uma proposta de jogo em ações concretas, algo que faltou ao rival durante os 90 minutos.
Nico Paz foi o principal símbolo dessa superioridade. Com dois gols e uma assistência, o argentino decidiu a partida, mas seu desempenho também evidenciou o funcionamento coletivo do Como. Bem integrado à dinâmica ofensiva, conseguiu encontrar espaços, participar da criação e aparecer em zonas decisivas. Seu protagonismo não surgiu isolado do restante do time, e sim como consequência de uma estrutura que favorece jogadores criativos.
Do outro lado, o United voltou a apresentar os sintomas de uma equipe sem identidade. Os problemas defensivos se misturaram à falta de criatividade no ataque, enquanto a circulação da bola não demonstrou consistência suficiente para desorganizar o adversário. Em diferentes momentos, os ingleses pareceram depender de lampejos individuais, sem uma estratégia capaz de sustentar a pressão ou controlar o ritmo da partida. O time foi previsível, burocrático e pouco convincente.
O cenário é reflexo de problemas que não se resumem ao desempenho de uma noite ruim. O trabalho de mercado deixou lacunas importantes, com prioridades que não receberam a atenção necessária nas últimas janelas, enquanto a comissão técnica de Michael Carrick e os próprios jogadores ainda não encontraram respostas satisfatórias em campo.
As peças não parecem formar um conjunto equilibrado, e a falta de mecanismos coletivos torna as deficiências ainda mais evidentes.
Manchester United volta a decepcionar e aumenta a pressão sobre Carrick
O início de temporada do Manchester United sob a batuta de Carrick está longe das expectativas. A derrota na Itália representou o segundo revés em três partidas pela Champions League, enquanto a campanha na Premier League também preocupa: os Red Devils ocupam somente a 13ª colocação, com sete pontos em sete rodadas.
A situação contrasta com a reta final de 2025/26, quando Carrick assumiu interinamente após a demissão de Ruben Amorim e conduziu a equipe à classificação para a Champions League. Aquele período criou expectativas de continuidade e recuperação, mas o começo de 2026/27 recolocou antigas dúvidas em evidência. Agora efetivado, o treinador precisa encontrar soluções para um elenco que ainda não consegue traduzir seu potencial em desempenho coletivo.