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Erik ten Hag revelou que as críticas públicas de antigos ídolos do Manchester United provocavam irritação em parte do elenco durante sua passagem por Old Trafford. O treinador neerlandês, que comandou os Red Devils entre abril de 2022 e outubro de 2024, reconheceu que a exposição constante a opiniões de figuras históricas do clube tornava o ambiente mais difícil para alguns jogadores.
Gary Neville, Rio Ferdinand, Wayne Rooney, Roy Keane e Paul Scholes estão entre os ex-atletas que mantêm presença frequente na cobertura esportiva. Seja em programas de televisão, seja em podcasts próprios, eles analisam o desempenho do United e não costumam esconder suas avaliações sobre o momento do time.
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A influência dessas figuras vai além da repercussão de suas opiniões. Como protagonistas de períodos vitoriosos do United, os antigos jogadores construíram uma relação com a torcida que dá peso às suas palavras. Para quem veste a camisa do clube atualmente, conviver com esse julgamento recorrente pode representar uma fonte adicional de pressão.
Ten Hag, porém, fez uma distinção entre sua experiência pessoal com os comentaristas e a maneira como parte do grupo reagia às manifestações públicas. O técnico afirmou que mantinha um bom relacionamento com Neville e Ferdinand e não considerava os comentários um problema para si, mas a percepção era diferente entre alguns atletas.
— Devo dizer que tinha uma ótima relação com todos eles, com Gary Neville, Rio Ferdinand. Fiz boas entrevistas com os dois, então não me afetou. Claro, eles têm podcasts, têm seus modelos. Às vezes é difícil para os jogadores. Alguns deles se sentem afetados por isso, ficam irritados com isso.
Ten Hag vê comportamento semelhante entre ex-ídolos de grandes clubes
Na avaliação de Ten Hag, a atuação pública de antigos jogadores não é uma particularidade do Manchester United. O neerlandês comparou o cenário de Old Trafford ao de outras instituições tradicionais do futebol europeu, como Bayern de Munique e Ajax, clube pelo qual conquistou destaque antes de assumir os ingleses.
Para ele, a defesa do legado construído dentro de campo ajuda a explicar por que tantos ex-atletas se manifestam sobre os rumos de suas antigas equipes. Ao mesmo tempo, o técnico ressaltou que a história e as conquistas dessas figuras merecem reconhecimento, ainda que suas avaliações nem sempre considerem todos os aspectos da realidade atual.
— É a mesma coisa em todo lugar; eles sempre querem proteger seus legados. Não é diferente do Bayern de Munique ou do Ajax; eles fazem a mesma coisa. Mas eles fazem parte da história do United e nem sempre sabem o que está acontecendo. O futebol evolui. No caso do United, é claro: eles deram grandes contribuições, conquistaram resultados expressivos, troféus para o clube e para si mesmos, então eu os respeito.
A fala indica que Ten Hag não pretendia questionar o direito de Neville, Ferdinand e outros ex-jogadores de opinarem sobre o clube. Seu ponto era outro: a experiência acumulada por quem viveu grandes conquistas não significa, necessariamente, conhecimento completo sobre os desafios enfrentados pelo elenco e pela comissão técnica no presente.
O treinador também defendeu uma postura mais construtiva por parte daqueles que ajudaram a estabelecer a identidade esportiva do United. Na visão do neerlandês, o vínculo com o clube poderia se traduzir em apoio aos profissionais que tentam recuperar a competitividade do time, em vez de se limitar à cobrança pública.
— Eles alcançaram grandes sucessos. Mas também podem ajudar mais o clube, ajudar mais os jogadores. Deveria haver duas formas de apoio. Mas acho que aquilo que mais amamos é sempre o que mais criticamos.
Da saída do Manchester United ao cargo no FC Twente
Ten Hag deixou o Manchester United em outubro de 2024, após uma passagem marcada por oscilações de desempenho e dificuldades para estabelecer regularidade na Premier League. Apesar de ter conquistado a Copa da Liga Inglesa em 2023 e a Copa da Inglaterra em 2024, o treinador não conseguiu sustentar uma trajetória consistente o suficiente para permanecer no comando.
Em 2025, o holandês teve uma nova oportunidade no futebol alemão ao assumir o Bayer Leverkusen. A experiência, no entanto, foi extremamente curta: sua passagem terminou depois de apenas três partidas, sem que ele conseguisse desenvolver um trabalho duradouro à frente da equipe.
Aos 56 anos, Ten Hag ocupa agora o cargo de diretor técnico do FC Twente, da Holanda. A função representa uma mudança em relação à rotina de treinador, com atuação voltada à estrutura esportiva do clube.